Rio - O Bolsa Família completa 10 anos de existência atendendo 13,8 milhões de famílias. Foi para entender seus efeitos que a jornalista e mestre em Ciência Política Débora Thomé se dedicou à pesquisa que resultou no livro ‘O Bolsa Família e a social democracia’, que será lançado amanhã, a partir das 19h, na Livraria Prefácio, em Botafogo.
— O Bolsa Família tem conseguido alcançar seus objetivos?
— Se você se refere à redução da pobreza e da pobreza extrema, sim, o programa tem tido sucesso. Também provocou um forte impacto na redução de uma desigualdade que durava décadas. Vale lembrar que o pagamento é condicionado à permanência das crianças na escola e à vacinação. Com isso, houve uma melhoria na educação e saúde dos beneficiados.
— Essa diminuição da pobreza foi medida?
— Sim. Entre 2001 e 2009, a taxa de pobreza no Brasil caiu de 35,2% para 21,4%. A pobreza extrema foi de 15,3% para 7,3%.
— Houve mudanças políticas nos locais mais beneficiados?
— Ocorreu uma diminuição do poder do político local já que o Bolsa Família é pago pela Caixa. Os políticos das cidades não têm como exercer influência sobre esse pagamento.
— Há quem diga que os beneficiados deixam de trabalhar...
— Isso não foi constatado. Antes, o trabalhador aceitava qualquer oferta. Agora, com o dinheiro do Bolsa Família garantido, ele negocia e escolhe se quer ou não o trabalho.




