Por thiago.antunes

Rio - As obras do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, estão atrasadas, mas a prefeitura continua fazendo o pagamento à Concessionária Rio Mais, responsável pela construção. Já foram repassados pelos cofres públicos a empreiteiras cerca de R$ 24 milhões referentes a serviços que ainda não foram executados. Estas cobranças foram feitas pelo Tribunal de Contas do Município (TCM-RJ), em relatório de auditoria publicado nesta semana. Mas este não é o único ponto que chama atenção no documento. A infraestrutura da Vila dos Atletas, que deveria ter sido concluída em dezembro, teve data remarcada para um ano depois do previsto.

A RioUrbe, no relatório, se explicou dizendo que a mudança do prazo para daqui um ano se deu porque “a obra na Vila dos Atletas estava incompatível com o volume de serviços necessários para a implantação das soluções geotécnicas adotadas nas vias projetadas”

Vila Autódromo%2C na Barra%3A obras para construção do Parque Olímpico deveriam começar em abril%2C mas desapropriações ainda nem foram feitasFabio Gonçalves / Agência O Dia

Já sobre o pagamento feito por serviços ainda não executados, a prefeitura, em nota, admitiu o descompasso do cronograma físico-financeiro. Afirmou que o atraso foi constatado em dezembro, e solicitou providências à Rio Mais, formada pelas empresas Noverto Odebrecht, Andrade Gutierrez e Carvalho Hosken. “Pelo contrato, caso a concessionária não recupere o atraso na próxima etapa, haverá glosa no pagamento. O acompanhamento da fiscalização de obras é diário.”

De acordo com o município ainda, o atraso na infraestrutura da Vila dos Atletas não vai alterar a entrega da obra, que será em 2015. O documento do TCM-RJ faz também questionamentos sobre a falta de informação dos parâmetros técnicos adotados no tratamento dos solos moles da Vila dos Atletas. A preocupação acontece porque este tipo de solo pode provocar deformações verticais nas estruturas, o que vai comprometer o uso das instalações a longo prazo.

O tribunal cobrou detalhes de como assunto está sendo tratado, porque é preciso saber quem responsabilizar em caso de problemas futuros. A prefeitura informou que o tratamento do solo não é de sua responsabilidade, mas do consórcio Ilha Pura, responsável pela Vila dos Atletas.

Remoção na Vila Autódromo não começou

A polêmica remoção da Vila Autódromo, na Barra, é um dos pontos de questionamento do relatório. O TCM-RJ que saber como a prefeitura vai fazer as obras no Parque Olímpico, já que o início da fase de construção que vai ocupar o terreno da comunidade está previsto para o dia 3 de abril e, até o momento, nenhum morador deixou sua casa. Estão planejados para o local um estacionamento e uma área de proteção ambiental.

Os moradores serão transferidos para imóveis construídos no Parque Carioca, projeto da Secretaria Municipal de Habitação. No documento do TCM-RJ, a RioUrbe informa que, em “eventual demora ou impossibilidade de se retirarem todos os imóveis do local, haveria a possibilidade de adaptação das obras.” Isso poderia ocorrer, segundo eles, desde que haja uma faixa para a drenagem e o escoamento do material usado na construção.

Ontem, a prefeitura informou que a transferência dos moradores que optaram em ir para o Parque Carioca “será feita de forma gradual e deve acontecer a partir da segunda quinzena de março.” Das 285 famílias que deixarão a comunidade por causa das obras de canalização dos rios e duplicação das Avenidas Salvador Allende e Abelardo Bueno, 253 já escolheram imóveis no condomínio popular. O restante está em processo de negociação para receber indenização do município.

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