Rio - Os três desembargadores da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio anularam, por unanimidade, o julgamento, de 2011, que absolveu Adriana Ferreira Almeida, viúva do milionário Renné Senna, da acusação de ser a mandante do assassinato dele. Segundo os magistrados, a decisão do júri popular foi contrária às provas que estão nos autos e, assim, acataram apelação do Ministério Público (MP). Outro júri, ainda sem data definida, será marcado.
“Fico mais envergonhada com essa decisão do que com as acusações”, comentou Adriana. O advogado dela, Jackson Costa Rodrigues adiantou que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, para que a absolvição seja mantida. “Respeito a opinião dos desembargadores, mas acho que a decisão desrespeita a vontade do júri e vamos ao STJ para resgatar a soberania do conselho de sentença”.
Seguranças de Renné, o ex-PM Anderson Silva de Souza e Ednei Gonçalves Pereira foram condenados a 18 anos de prisão, em 2009, por serem os executores do crime. Eles foram sentenciados por furto e homicídio triplamente qualificado.
No processo, além de Adriana, três outros réus foram absolvidos em 2011 e esta decisão não será alterada, já que o MP pediu a absolvição deles. Marcus Rangoni, advogado de defesa de Renata Senna, filha de Renné que disputa a herança do pai com Adriana, aposta na condenação da cabeleireira. “Os desembargadores confirmaram que a decisão dos jurados foi errada. A participação da Adriana no crime está mais do que cristalina”.
O imbróglio judicial não impediu que a fortuna de Renné se multiplicasse. Com várias aplicações financeiras e imobiliárias, apesar do abandono da Fazenda Nossa Senhora da Conceição, em Rio Bonito, estima-se que o montante patrimonial já supere os R$ 100 milhões. Há casas no Recreio dos Bandeirantes, em Itaipu e Saquarema, além de sítio em Itaboraí.
Relembre o caso
O ex-lavrador Renné Senna, que ganhou R$ 52 milhões na Mega-Sena em julho de 2005, foi assassinado com quarto tiros em um bar em Rio Bonito, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no dia 7 de janeiro de 2007.
Renné estava no bar do Penco sem seguranças, próximo à fazenda, quando dois homens encapuzados chegaram numa moto e o carona atirou matando-o instantaneamente. As balas acertaram a nuca, a têmpora esquerda, o olho esquerdo e o queixo do milionário.
A possibilidade de assalto foi descartada pela polícia na época, já que os assassinos deixaram o relógio e o anel de ouro que Renné usava. Ainda de acordo com a polícia, a mandante do crime teria sido a sua esposa na época, Adriana Almeida, que era 25 anos mais jovem, motivada pela herança.
Em 26 de março de 2007, o inquerito policial foi encerrado apontando que Adriana Almeida seria a mandante do crime. As investigações policiais levaram à prisão de sete pessoas pelo assassinato do milionário: Adriana, a professora de educação física Janaína Oliveira, o motorista de van Robson de Andrade Oliveira e os ex-seguranças Ednei Gonçalves Pereira, Marco Antonio Vicente, Ronaldo Amaral e Anderson Souza. Anderson teria sido o autor dos disparos que mataram Renné.
Dois desses homens eram amantes de Adriana. Um deles, Robson de Andrade Oliveira, dono de uma van de transporte de passageiros, que confessou na época o romance às autoridades.
Atualmente, a fortuna do milionário assassinado está estimada em mais de R$ 100 milhões.




