O dilema da nova sede da Alerj continua

Disputa derruba projeto de R$ 100 milhões e põe na pauta compra de prédio de R$ 250 milhões

Por O Dia

Rio - Entre discussões sobre projetos de leis, crise econômica do estado e demandas da população, um tema tem tomado boa parte das pautas das discussões dos deputados da Assembleia Legislativa do Rio: onde ficará o novo prédio da casa.

Edifício Serrador. Compra do prédio de 23 andares e cerca de 18 mil metros quadrados, avaliado em R$ 250 milhões, é defendida pelo presidente da Alerj, Jorge PiccianiFernando Souza / Agência O Dia

Alegando custo alto, o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), jogou fora o projeto de seu antecessor, Paulo Melo, de construir uma nova sede na Cidade Nova, orçada em cerca de R$ 100 milhões, que abrigaria, além do plenário, os gabinetes dos deputados.

Em troca, lançou a ideia de comprar o Edifício Serrador, na Cinelândia, avaliado pelo Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio), em R$ 250 milhões. Mas o prédio só receberia os gabinetes. O plenário permaneceria no Palácio Tiradentes.

A única coisa certa é que o atual Prédio Anexo, onde ficam os gabinetes dos deputados, será demolido, para a revitalização da Praça 15.

A proposta de comprar o Edifício Serrador, feita por Picciani, não conseguiu apoio total dos 13 deputados da Mesa Diretora na primeira reunião para debater o assunto, na última quinta-feira. O maior problema é a distância que o plenário ficaria do Edifício Serrador. O prédio era alugado pelo Grupo EBX, de Eike Batista, por R$ 2,3 milhões ao mês. O empresário deixou o local devido a sua crise financeira.

Na proposta de Melo, um novo plenário seria construído na Cidade Nova, e o Palácio Tiradentes viraria um museu. Uma praça seria construída para a população ver as sessões legislativas em um telão. O terreno seria doado pelo estado à Alerj e a obra levaria dois anos. Somente a elaboração do projeto custou R$ 1,5 milhão, pagos à empresa Arqhos.

O vice-presidente da Secovi, Leonardo Villar Schneider, atribui diferença entre os preços à valorização dos terrenos: “A Cidade Nova ainda é um local pouco valorizado, comparado com a Cinelândia. O Serrador é mais bem localizado e em breve terá o VLT na porta.”

Picciani pediu ajuda do prefeito Eduardo Paes para comprar o Serrador, mas não obteve sucesso.
Como argumento, ele diz que a transferência para a Cinelândia seria uma medida mais rápida em relação à construção de uma nova sede. “O prédio passou recentemente por uma reforma e está todo novo. Não teríamos gastos a mais”, explica.

Para o deputado Luiz Paulo (PSDB), que alegou desconhecer a diferença entre os preços, a transferência para o Serrador não seria a solução ideal. “O melhor é o plenário ser mais perto dos gabinetes. Mas os deputados poderão usar, por exemplo, o VLT para se deslocar até lá a partir do Palácio Tiradentes”, disse. 

Anexo vai ser demolido para as obras de revitalização da Praça 15

Doado em 1975 à Alerj, o futuro do Prédio Anexo também virou polêmica na Assembleia. Os deputados criticam a falta de estrutura do edifício, que não comporta os 70 gabinetes. Porém, para entregar o local para o prefeito Eduardo Paes, que vai derrubá-lo, o presidente da Alerj quer cobrar ressarcimento pelo imóvel.

A medida foi sugerida por Picciani, segundo informações de bastidores, sob alegação de que Paes não se empenhou para ajudar a Alerj a adquirir uma nova sede. Já nos bastidores da prefeitura, Paes teria dito que Picciani tem reclamado de barriga cheia, já que a Alerj possui três prédios, contando com o da Rua da Alfândega, que abriga escritórios administrativos da Alerj.

O Prédio Anexo, ou no Palácio 23 de Julho, passou para a Alerj na fusão do Estado da Guanabara com o antigo Estado do Rio. O local abrigava o Ministério dos Transportes.

A ideia de derrubar o prédio faz parte da vontade de Paes de transformar a Praça 15, um dos marcos da História da cidade, em um visual mais atrativo. Sem o edifício, que tem construção moderna, os prédios históricos se destacariam.

Quando Paulo Melo presidia a Alerj, os deputados também chegaram a cogitar comprar o prédio da Bolsa de Valores, mas ele considerou alto o valor pedido: R$ 500 milhões.

Um prédio vizinho ao Terminal Menezes Cortes também foi analisado, porém acabou sendo comprado pela iniciativa privada.

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