Inverno traz diferentes espécies de animais para o litoral fluminense

Baleias, focas, leões e lobos marinhos de várias partes do mundo vem para cá na estação mais fria do ano

Por O Dia

Rio - O inverno começa hoje, oficialmente às 13h38, e, com a estação mais fria do ano, é aberta a temporada de espetáculos de animais marinhos e aves do mundo inteiro, que chegam em grupos ao litoral do Rio e por ficam pelo menos até novembro. Eles dão shows à parte na natureza, com suas simpáticas aparições, seja no mar, nas areias das praias ou no céu.

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Os visitantes mais apressadinhos já deram as caras na semana passada: um casal de pinguins, resgatado por bombeiros em São Conrado, na Barra, e duas baleias Jubarte, filmadas num ‘ensaio’ de saltos acrobáticos na mesma região.

De acordo com biólogos e especialistas em meio ambiente, a maioria dos bichos com estadia sazional no litoral carioca, é mamífera, migratória. “Com as temperaturas muitos frias nas partes mais altas do planeta, os animais procuram águas tropicais, como as da costa brasileira, para acasalamento”, explica a bióloga Liliane Lodi, pesquisadora do Projeto Ilhas do Rio e doutora em Biologia Marinha pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

O oceanógrafo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), David Zee, a Patagônia na Argentina, na fronteira com o Chile, é o ponto de partida da maioria da bicharada. “Baleias, orcas, pinguins, focas, leões e lobos marinhos, arraias, golfinhos, tartarugas, e muitas outras espécies, são trazidos para o litoral brasileiro nas correntes oceânicas das Malvinas, que corre sentido de Sul para o Norte da margem continental da América Latina, com máximo avanço no inverno.

“Alguns animais, como os pinguins-de-magalhães, que chegam em maior número (ano passado 200 foram resgatados na costa brasileira, o dobro do ano anterior), vêm “surfando”, arrastados na direção das correntes. Costumam viajar mais de cinco mil quilômetros assim e chegam ao Brasil debilitados, por isso a maioria morre”, lamenta Zee.

Preocupado com o destino dos xodós da temporada, o ecologista da Ong SOS Aves e Cia, Paulo Maia, quer criar a Cidade dos Pinguins, um centro de reabilitação da espécie numa ilha do Rio. “Estamos iniciando campanha junto ao poder público e à iniciativa privada para a construção de um pinguinário, numa ilha que poderia ser desapropriada. O local trataria dos animais e receberia turistas ao mesmo tempo”, sonha Maia. Na quarta-feira, sua Ong receceu os dois pinguins resgatados pelos bombeiros, batizados de Brant (sobrenome de Fernando,compositor mineiro morto dia 12) e Betha (de Maria Bethânia).

Também é durante o inverno que dezenas de espécies de aves marinhas colorem a paisagem fluminense. Estudo feito por Roberta Sanches e Roberta Guida, formadas em Ciências Biológicas, catalogou 37 espécies de pássaros aquáticos no Rio entre os invernos de 2012 a 2014, só na Baía de Sepetiba e Ilha de Paquetá.

“São aves raras em sua maioria, oriundas de outros lugares da América do Sul. Algumas param por aqui só para repousar e depois continuam sua migração para outras partes do planeta”, observa Rodrigo Guerra Carvalheira, coordenador do Núcleo de Estudos Ornitológicos da Uerj, que orientou a pesquisa. Além da garça-branca-grande, biguás e fragatas, outras espécies mais raras, gaivotão, a garça-azul, marreca-toucinho, colhereiro e o martim-pescador, além de trinta-réis, vêm passear ou se reproduzir na costa carioca.

O biólogo Mário Moscatelli, e Ricardo Freitas Filho, doutor em Ecologia e Evolução da Uerj, mestre em Biologia Comportamento Animal, por sua vez, veem com preocupação o cenário futuro. “Só temos 8% de Mata Atlântica. A fauna não terá meios onde se abrigar”, lamenta Ricardo.

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