Rio - Menos de 24 horas depois de a atriz Taís Araújo sofrer ataque racista na internet e comunicar que irá registrar ocorrência policial, o jogador do São Paulo, Michel Bastos, revelou que também sofreu agresões raciais no Instagram e anunciou que vai processar os agressores.
“Vou tomar as medidas cabíveis para que essa pessoa responda legalmente. Se deixarmos esse tipo de situação passar, isso nunca irá cessar”, disse Bastos. O atleta foi chamado de “macaco negro safado”
Especialistas em crimes virtuais dizem que guardar os “rastros” deixados por agressores é a melhor forma de garantir que casos de preconceito, como os sofridos por Taís e Michel sejam solucionados.
De acordo com a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), prints de tela, nomes de perfis, listas de compartilhamento e testemunhas podem fazer a diferença na localização dos autores.
O crime de racismo é inafiançável e pode resultar em até cinco anos de cadeia, enquanto a pena por injúria racial é passível de substituição. Para alguns técnicos, esta é uma das razões do aumento dos crimes de ódio na internet.
"Mesmo que os perfis sejam anônimos ou tenham sido apagados, tudo que se faz na internet deixa rastros e a polícia tem condições de chegar à origem dos comentários. Basta que seja feita a denúncia", explica o delegado Alessandro Thiers, da DRCI.
O Superior Tribunal de Justiça divulgou ontem uma lista de 65 julgamentos recentes de crimes virtuais que resultaram em pagamento de indenizações, retirada de páginas do ar e outras condenações em favor das vítimas
Um aplicativo criado pela Universidade Federal do Espírito Santo vai monitorar postagens nas redes sociais que reproduzam mensagens de ódio e racismo. O instrumento será lançado este mês e permitirá que criminosos sejam denunciados.
Reportagem da estagiária Clara Vieira




