Resultado de um termo de compromisso (TAC) assinado pela empresa junto à Secretaria estadual do Ambiente e ao Inea, o berçário gigante ocupa 4.584 hectares, área equivalente a 780 campos de futebol, maior que o Parque Nacional da Tijuca (3.953 hectares). Ao custo de R$ 100 milhões, o objetivo era produzir ali, até 2020, sete milhões de árvores de 80 espécies da Mata Atlântica, incluindo exemplares raros como pau-brasil, jacarandá e ipês, para a restauração de áreas internas e arredores do Comperj.
A demissão, há quatro meses, de 300 trabalhadores ligados às empresas Vereda, Dédulos, Acácia Amarela e Educa Mata Atlântica, que cuidavam do reflorestamento teria desencadeado o abandono do local, o que pode comprometer as metas estabelecidas no acordo entre Petrobras e governo do estado. O plantio das mudas é um dos condicionantes para a emissão de licença ambiental. Sem os trabalhadores, parte do viveiro pegou fogo duas vezes este ano, destruindo mais de 500 mil mudas. Sem segurança, vândalos roubaram as bombas d’água utilizadas na irrigação das plantas.
“É o retrato da absoluta falta de responsabilidade e de compromisso de todos os agentes envolvidos com o meio ambiente”, disse o biólogo e analista ambiental Fábio Fabiano, após assistir ao vídeo, a pedido do DIA.
As imagens mostram canteiros com cerca de 300 mil mudas abandonados, com galhos secos de árvores de até um metro e meio que, segundo especialistas, já deveriam ter sido replantados. Não há ninguém trabalhando no lugar. Alguns pontos aparecem tomados pelo matagal.
Do total de 7 milhões de árvores que a Petrobras se comprometeu em plantar com a construção do Comperj, pouco mais de 800 mil mudas de Mata Atlântica teriam sido produzidas no viveiro de Itaboraí. O reflorestamento é feito ao longo das margens dos rios Macacu e Caceribu.
A Petrobras argumentou que prevê para o primeiro bimestre de 2016 um edital de licitação para retomar os serviços de restauração florestal no local. Em nota, informou que para melhor aproveitar as mudas e minimizar a perda, está adotando “medidas mitigadoras”, como a utilização dessas mudas em outros projetos.




