Rio - Prevista para terminar em 2018, a construção, em Itaguaí, do primeiro de cinco submarinos brasileiros, deve atrasar. Em visita nesta terça-feira ao Estaleiro e Base Naval (EBN) da cidade, o ministro da Defesa, Jacques Wagner, admitiu a possibilidade de uma readaptação dos prazos por causa do corte de R$ 1,9 bilhão no orçamento federal que deverá atingir a pasta.
“Não há hipótese de interrupção”, disse, acrescentando, porém, que a “revisão de cronograma é possível”.
O projeto da Odebrecht Defesa e Tecnologia e da francesa DCNS prevê a construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear — os outros quatro serão com propulsão convencional. Todos serão usados para defender a Amazônia Azul e os campos do pré-sal e prevenir ataques de outros países.
O programa militar, que teve início em 2012, prevê entregar o último submarino, com propulsão nuclear, em 2023, devendo entrar em operação em 2025. De acordo com a Marinha, já foram investidos R$ 12,5 bilhões no projeto, sendo R$ 9 bilhões na construção do complexo, que faz parte do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub). A expectativa é que sejam investidos mais R$ 11 bilhões.]
Segundo o ministro, uma economia agora poderia representar prejuízos mais tarde, por conta das multas previstas nos contratos. “Estou brigando com todo o ministério pela manutenção dos recursos, mas lembro que sou parte do governo e sei das necessidades (de cortes)”, disse, ao lado do comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira.
Economia local
O empreendimento deve ajudar a movimentar a economia de Itaguaí. Na construção da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem) e do Complexo de Estaleiro e Base Naval estão previstos 8 mil empregos diretos e 32 mil indiretos. Na construção dos submarinos serão 5.600 postos de trabalho diretos e 14 mil indiretos.
O complexo desenvolve também o programa Acreditar, focado na região de Itaguaí, com cursos de formação no próprio canteiro de obras. Já foram formados 438 profissionais como soldador, carpinteiro, eletricista, pedreiro, montador, armador e ajudante. Os programas oferecem ainda aulas de inglês e informática para cerca de 200 alunos. Já a capacitação de 243 engenheiros e técnicos envolvidos no projeto foi feita na França, segundo o o coordenador-geral do Prosub, almirante Max Roffé Hirschfeld.