João Baptista Ferreira de Mello: A cultura transita de VLT no Rio Olímpico

A bela homenagem da prefeitura faz transitar cultura, arte e literatura pelos trilhos do Veículo Leve sobre Trilhos

Por O Dia

A bela homenagem da prefeitura faz transitar cultura, arte e literatura pelos trilhos do Veículo Leve sobre Trilhos, encantando gerações, reforçando talento e genialidade ou descortinando o universo de alguma personalidade descoberta no vaivém do dia a dia desta olímpica cidade.

Os ‘bondinhos’ (que tal assim chamá-los, em definitivo?) ganham expressão e simbologia quando batizados, merecidamente, com um nome da relevância e o quilate da pioneira Chiquinha Gonzaga da eterna ‘Ó Abre Alas’, cantada pela vez primeira nos idos de 1899. Machado de Assis, nosso escritor maior, e Marc Ferrez, o fotógrafo do Rio da aurora do século 20, são outros agraciados com seus nomes e passeiam com a gente do Rio neste início de milênio.

Tomando por empréstimo as assinaturas de grandes vultos, a galeria inclui, muito apropriadamente, o compositor Donga, do samba inaugural e registrado na Biblioteca Nacional justamente há cem anos. Salve os cem anos de samba! Ao lado dos já citados, figuram Ismael Silva, do bairro do Estácio, um dos inventores do desfile das escolas de samba, em 1928. O VLT torna-se, assim, condutor de cultura e passageiros. A magistral obra de Pixinguinha prossegue por sendas tal qual Cartola e sua esposa, Dona Zica, cozinheira do ZiCartola e primeira-dama da Mangueira. Neste panorama, a arquiteta Lota Macedo Soares, dos arrebatadores projetos paisagísticos do Parque do Flamengo, integra o nicho das honrarias, além da compositora Dolores Duran de ‘A Noite do Meu Bem’ e outras canções de amor e sambas sincopados.

Neste particular, cabe louvar que os nomes das mulheres sejam lembrados em uma cidade que pouco privilegia a alma feminina. Assim sendo, me junto aos fãs da cantora e atriz Marlene, que nos facebooks e twitters da Maior reivindicam a presença da Rainha do Rádio, a soberana dos auditórios superlotados, primeira mulher a puxar um samba-enredo na Avenida, a da campeoníssima Império Serrano, 1972, com ‘Alô, Alô Taí Carmen Miranda’.

Com o VLT, cariocas e turistas podem singrar por ruas, cultura e arte; a arte maior de uma Cidade Olímpica e Maravilhosa.

João Baptista Ferreira de Mello é coordenador dos Roteiros Geográficos do Rio da Uerj

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