Opinião

Ruy Chaves: hienas do Brasil

Dizem línguas ferinas que muitos espíritos de hienas assumiram formas semi-humanas no Brasil, reencarnando como políticos, servidores públicos e empresários, e que estas criaturas das trevas agem em quadrilhas, comendo tudo que encontram

Rio - A hiena é um animal desconjuntado, cabeça grande desproporcional ao corpo, traseiro despencado, maxilares assustadores, com péssima reputação na vida real e em estórias e lendas da cultura popular. Seu andar estranho, manco, seus gritos roucos e ásperos ajudam a classificá-la como bicho desprezível. Hienas roubam a caça de leões e de guepardos, comem qualquer animal, restos, carne putrefata, comem ossos, chifres, cascos, nunca estão saciadas.

Ferozes predadoras oportunistas, de inteligência privilegiada, elas seguem os sinais dos abutres para encontrar carcaças já cheias de vermes, onde se banqueteiam além do possível. Quando não encontram nada mais substancial, hienas não se apertam: comem...fezes! Como não têm o hábito de lamber seus pelos, nem higienizam seu clã, imaginem seu cheiro terrível! Pior que tudo, vivem às gargalhadas!

Encarnações de espíritos de macabros feiticeiros, piores expressões das forças do mal, detestadas por todos e caçadas implacavelmente, graças à sua capacidade de adaptação e dos fortes vínculos que constroem em seus bandos, hienas não correm risco de extinção.

Dizem línguas ferinas que muitos espíritos de hienas assumiram formas semi-humanas no Brasil, reencarnando como políticos, servidores públicos e empresários, e que estas criaturas das trevas agem em quadrilhas, comendo tudo que encontram. Comem hidrelétricas, plataformas de petróleo, pontes e viadutos; comem metrô, BRT, empresas públicas, hospitais e escolas; comem redes de esgoto, iates, jatinhos, malas de dinheiro, carros de luxo, joias, objetos de arte, rios e florestas; comem a verdade e a justiça, empregos, salários, aposentadorias, a merenda escolar, a dignidade e os sonhos da nação. Comeram até o Estado do Rio! Claro, comem fezes e cheiram muito mal estas hienas brasileiras, apesar de lamberem sempre os membros de seu clã.

Lamentavelmente, mesmo implacavelmente caçadas pela Lava Jato e por outras forças do bem, não correm risco de extinção, multiplicam-se por toda parte, gordas, protegidas por leis que elas criam para sua própria impunidade, até na prisão escondendo queijo, bacalhau e camarões em suas cuecas cansadas, debochando da sociedade do bem, desonrando o Pai, a Mãe, o Filho e o Espírito Santo, sempre às gargalhadas, como as hienas africanas. Até quando? Panta rei.

Ruy Chaves é especialista em Educação

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