Helena Tenório: BNDES: a bem da verdade

O apoio às exportações brasileiras tem como destino mais de 40 nações ao redor do mundo. Mais de 45% das exportações financiadas pelo BNDES de 1998 a 2016 foram para os Estados Unidos e, em segundo lugar (10%), para a Argentina. Ao contrário do que diz outro mito recorrente, não houve critérios ideológicos

Por Helena Tenório Superintendente de Comunicação do BNDES

Helena Tenório
Helena Tenório -

Rio - O apoio do BNDES às exportações brasileiras tem despertado o interesse da população. Porém, muitos mitos têm sido reproduzidos. Um deles ocorreu no artigo 'A eleição sem primeiro turno', publicado em O DIA, de 7/10. Por isso, o Banco esclarece alguns pontos.

De início, cabe informar que alguns dos países citados no artigo sequer foram destino de "recursos de infraestrutura que seguem faltando por aqui", casos de Bolívia, Nicarágua e Guiné Equatorial. Nenhum deles foi destino de exportações brasileiras de serviços de engenharia financiadas pelo BNDES.

As operações efetivamente contratadas pelo Banco estão disponíveis em www.bndes.gov.br/transparencia , onde se pode verificar a quem, quanto, para que e em que condições (prazos, taxas e garantias) o Banco financiou desde 2002.

O BNDES não financia países e, sim, a exportação de bens e serviços brasileiros. Essas operações representam cerca de 5% da atuação do Banco (versus 40%, em média, destinados a infraestrutura no Brasil), e os recursos são desembolsados no Brasil, em reais, à empresa brasileira, como ocorre em todos os financiamentos do BNDES. O importador do bem ou serviço (que pode ser uma empresa estrangeira ou um país) assume a dívida e paga ao BNDES, em dólar ou euro. Tais operações, portanto, não envolvem envio de recursos do Brasil para o exterior. É exatamente o contrário: elas trazem divisas para o Brasil, em moeda forte, que, além de gerar emprego e renda aqui, ajudam a suprir nossas carências de investimento público.

O BNDES tampouco "entrega recursos para países sem condição de pagar". Os financiamentos à exportação são feitos desde 1998. A inadimplência dessas operações está em linha com a inadimplência geral do BNDES, que é a menor do Sistema Financeiro Nacional: 1,45%, em junho de 2018, frente a 3,06% de média do SFN. Elas são cobertas pelo seguro de crédito do Fundo Garantidor de Exportações (FGE), que honra eventuais pagamentos não efetuados pelo devedor.

Vale dizer, aliás, que o FGE é muito superavitário, tendo arrecadado US$ 1,3 bilhão em prêmios e pagado cerca de US$ 353 milhões em indenizações.

O apoio às exportações brasileiras tem como destino mais de 40 nações ao redor do mundo. Mais de 45% das exportações financiadas pelo BNDES de 1998 a 2016 foram para os Estados Unidos e, em segundo lugar (10%), para a Argentina. Ao contrário do que diz outro mito recorrente, não houve critérios ideológicos.

No portal do BNDES, há uma série de "Perguntas & Respostas" que desfaz mitos sobre as operações de comércio exterior que o Banco executa como órgão do Estado brasileiro, assim como o fazem ao redor do mundo mais de 70 agências de crédito a exportações. Não deixe de consultá-lo para conhecer, a bem da verdade, como o BNDES atua.

Helena Tenório é superintendente de Comunicação do BNDES

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