Rio -  França - O frio intenso, um idioma difícil, a culinária exótica e um povo considerado blasé no trato com visitantes já seriam obstáculos consideráveis à adaptação de qualquer estrangeiro à França. Mas não no caso de ‘Messiê Marrianô’, o mais novo ‘franco-pernambucano’ do Bordeaux, que, há quase três meses, trocou o calor do Rio de Janeiro e o sucesso no Fluminense, onde era um dos ídolos da torcida, pelo desafio de brilhar em um dos mais importantes clubes da Europa. Não se arrependeu.

“Estou muito feliz aqui. Consegui jogar em um dos maiores clubes do Brasil e agora em um dos grandes da Europa, num centro importante como a França. Fiquei surpreso com a hospitalidade, todos me receberam muito bem”, comemora o camisa 25 dos Les Girondins.

“A torcida também foi bem receptiva comigo e quero retribuir em campo todo o carinho”, acrescenta Mariano. Algo que já conseguiu. Afinal, ele é o lateral-direito titular do técnico Francis Gilot sete jogos depois de desembarcar em Bordeaux. Seus maiores adversários estão fora de campo. Como a saudade do arroz e feijão.

Foto: AFP
Mariano posa com a camisa do Bordeaux em sua chegada | Foto: AFP

“Tento me acostumar à comida daqui. Eles comem pouco, geralmente muito bife com batata frita e pato... Até conheci uma arrumadeira brasileira, no hotel em que eu estava, que, às vezes, faz um arroz com feijão para mim, mas não é igual ao nosso, não tem o tempero”, lamenta.

Estou muito feliz aqui. Fiquei surpreso com a hospitalidade
Mariano

Nada, porém, que o atrapalhe a brilhar nos jogos do Campeonato Francês. Mariano, que deixou a quente São João, no interior de Pernambuco, para desbravar novos horizontes, também tira de letra o frio que castiga a Europa ultimamente.

“Nunca tinha visto neve. Aqui está bem frio e o campo congela. Jogamos em Lille e Lyon e o gramado estava coberto antes do jogo para não acontecer isso. Em alguns lugares o campo fica duro e cheio de gelo, mas faz parte”, minimiza Mariano, que ainda tem dificuldade em relação ao idioma.

“Há a diferença na pronúncia das palavras, mas faço aula e já sei algumas que me ajudam durante os jogos, como direita, esquerda, chute...”, revela Mariano, que ainda não teve tempo para fazer programas culturais. “Quero ir à Torre Eiffel, ao (museu) Louvre... Enfim, crescer culturalmente”, frisa o jogador, feliz até com a forma como é chamado pela torcida. “Aqui é Marrianô mesmo. Achei legal”, diverte-se.