Rio - Que atire a primeira pedra aquele que gosta de automóveis e nunca quis ter uma supermáquina — o K.I.T.T. do seriado americano Knight Rider, dos anos 80.
Inspirados neste carro que não precisava de motorista e tinha vontade própria, e diante da alarmante estatística de que 1.200.000 pessoas morrem no trânsito todos os dias ao redor do mundo em acidentes causados por falha humana, o Google e grandes fabricantes de veículos iniciaram a disputa pelo carro autônomo mais confiável.
O mais famoso deles é o Toyota Prius do Google, que já rodou 483 mil quilômetros em testes. A empresa, que também tem Lexus RX450h autônomo em testes, recebeu licença do estado de Nevada para rodar em locais públicos com uma placa específica e o alerta: 'autonomous car' (carro autônomo).
A Ford acredita que a implantação de automóveis autônomos é dividida em três fases: a curto prazo (a maioria deles terá sistemas de alerta e funções de piloto automático de condução no trânsito lento); entre 2017 e 2025 (carros semiautônomos com maior interação entre eles); e de 2025 em diante (totalmente autônomos).
Alan Taub, vice-presidente de pesquisa global e desenvolvimento da GM, disse que até 2020 a marca quer colocar no mercado mundial automóveis que trafegam sozinhos.
O ministro dos transportes do Japão, Yuichiro Hata, concorda com o prazo estabelecido pela GM, mas afirma que carros autônomos não deverão dispensar totalmente a presença do motorista. Ele disse que os carros autônomos poderão trafegar sem motoristas em vias expressas que tenham suporte a esse tipo de veículo. No modelo japonês, o condutor guiará o automóvel até a pista específica e, depois, o carro assumirá o controle.
De acordo com os pesquisadores, os principais desafios são a redução do tamanho e do preço dos equipamentos, bem como a necessidade de refinar as repostas em situações de risco (o reflexo do sol pode 'cegar' alguns dos sensores).
Os segredos do carro da Google
Ele tem um localizador a laser no teto que gera um mapa em 3D. Tem quatro radares instalados nos para-choques dianteiro e traseiro (para reconhecer o tráfego rápido das vias expressas); uma câmera no retrovisor (detecta as luzes dos semáforos); e um GPS (determina a localização do veículo e rastreia seus movimentos). É o carro da Google, que também 'conversa' com os outros veículos autônomos e com a estrada.
NO BRASIL
O Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento de Veículos Autônomos (PDVA), vinculado à Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), criou um protótipo de carro autônomo, o CADU (Carro Autônomo Desenvolvido na UFMG), que se locomove via coordenadas através de um GPS, comando de voz, ou através de um joystick.
Pesquisadores da USP de São Carlos criaram os projetos CaRINA e Carina 2 (carro Robótico Inteligente de Navegação Autônoma), que alerta o motorista para situações de risco ou mesmo avisando-o da necessidade de assumir os controles.

