Rio -  Não era nada do que Cacá Diegues tinha imaginado, mas até que ele gostou. Ainda que seja avesso à ideia de revisitar a própria obra — “dá vontade de mudar tudo, não quero ver nada” —, o diretor, que acaba de completar 50 anos de carreira, está felicíssimo com a mostra ‘Cineasta do Brasil’, que ganhou de presente pela data, na Caixa Cultural, com ingresso a R$ 4.

Cacá confirma que vai lançar um documentário sobre as UPPs este ano | Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia
Cacá confirma que vai lançar um documentário sobre as UPPs este ano | Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia

De hoje a 15 de abril, o público poderá conferir filmes de todas as épocas do cineasta de sucessos como ‘Xica da Silva’ (1976), ‘Bye Bye Brasil’ (1979) e ‘Orfeu’ (1998). “É difícil olhar para trás. Não tive o projeto da obra, fiz filme a filme”, brinca Cacá, sem conseguir escolher um favorito. “Tenho memória afetiva de alguns trabalhos. Quando fiz ‘Chuvas de Verão’ (1978), me mudei para Marechal Hermes e fiquei morando numa casa em frente a da que eu estava filmando. Interagia com os vizinhos e usei muitas coisas que eles diziam no filme”, lembra ele, que também guarda com carinho as filmagens de ‘Xica da Silva’. “Era uma equipe tão animada, tinha festa todo dia”, delicia-se.

Mas nem sempre foi tudo tão harmônico assim. “Eu tinha 12 semanas para filmar ‘Quilombo’ (1984) e chovia sem parar. Estouramos o prazo e levou seis meses. O (José) Wilker teve que ser substituído pelo Daniel Filho por causa de uma novela”, recorda.

Embora reconheça que teve mais acertos do que erros na carreira, Cacá admite que é difícil lidar com uma crítica negativa. “A pior coisa do mundo é acordar de manhã e ter um cara no jornal dizendo que o que você fez é uma m.... É chato para burro”, entrega.

Produtor de ‘5X Favela — Agora por Nós Mesmos’, Cacá está prestes a lançar o documentário ‘Pacificação’, feito por parte da mesma equipe do anterior. “São quatro pontos de vista sobre as UPPs: da polícia, do bandido, do morador e do asfalto”, explica ele, que vai voltar ao set este ano. “Farei meu sonho, que é uma adaptação do ‘Grande Circo Místico’, do Jorge Lima. Chamei o Lázaro Ramos para ser o mestre de cerimônia”, adianta.