Rio -  Ator, dançarino, mais de 20 anos de carreira, papéis de destaque em musicais como “Lés Misérables” e “O Fantasma da Ópera” , indicação ao Prêmio Shell de melhor ator pelo espetáculo “Cabaret”. Com todo esse currículo de inegável qualidade, Jarbas Homem de Mello caminhava em sua carreira em rumo certo e constante para se tornar um ator famoso apenas por seu trabalho - mas uma verdadeira avalanche acabou abreviando esse momento. Ele passou a ser conhecido do grande público como o novo namorado da atriz Claudia Raia, uma das maiores estrelas do teatro e TV brasileiros.

Jarbas Homem de Mello | Foto: Francisco Cepeda / Ag. News
Jarbas Homem de Mello | Foto: Francisco Cepeda / Ag. News

“Isso não me incomoda não, até porque eu sou o namorado dela”, diverte-se Jarbas. “No começo, me senti um pouco desconfortável porque tinha dias que estávamos jantando e saía um paparazzo atrás da árvore para tirar fotos nossas. Esse é um tipo de informação que, me desculpe , acho imbecil”, afirma ele.

Jarbas diz que aprendeu a lidar com essa nova faceta da sua vida e aproveita o momento positivo no amor e na carreira para se arriscar em novos desafios, como no cinema ou na televisão. “Essa coisa de a novela ser uma obra aberta me assusta um pouco porque é algo que não domino. Eu acabei de fazer o meu primeiro filme e adorei. Agora entendo por que os atores têm essa paixão toda pelo cinema . Há um cuidado especial, sua atuação fica eternizada”, disse.

Em entrevista no parque Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, Jarbas Homem de Mello, que está com 42 anos e é gaúcho de Novo Hamburgo, falou sobre carreira, projetos e o namoro com Claudia Raia, que fez questão de buscá-lo no final do bate-papo, para irem juntos ao teatro onde estão em cartaz. “É difícil se relacionar com uma parceira de trabalho porque a gente acaba ficando 24 horas com a pessoa e se cria uma rotina. Mas comigo e com a Claudia é fácil. Temos o humor muito parecido”.

Quando surgiu a vontade de ser ator?
Jarb as Homem de Mello: Comecei a estudar teatro na escola, mas aos 16 anos entrei para um grupo amador. Frequentei aulas de dança e canto e, em 1994, fui morar em São Paulo, onde fiz muitos musicais infantis. Nessa época, ainda não existia espetáculos do tipo para o público adulto. Até que em 1999 fui selecionado para participar da montagem de “Rent”, um dos primeiros dessa safra internacional de musicais.

Você também é considerado um bom bailarino. Ainda existe preconceito com o homem que dança?
Jarbas Homem de Mello: É uma pena que as pessoas ainda sejam reféns do que os outros pensam. Mas sempre achei que deixar de fazer as coisas que gosto e que me movem por medo do julgamento das outras pessoas seria uma atitude covarde e burra. Na verdade, comecei a levar sério a dança um pouco mais tarde do que gostaria. Mas sempre dancei. Era o pé de valsa da família, que tinha que dançar com todas as tias.

Durante sua trajetória na carreira de ator sofreu algum tipo de dificuldade?
Jarbas Homem de Mello: Minha formação técnica é de sapateiro (risos). Cursei a escola técnica de calçados de Novo Hamburgo , mas sempre fiz teatro paralelamente. Costumo falar que a decisão mais difícil da minha vida foi escolher que queria viver da arte para arte. Larguei uma estabilidade. Tinha um ótimo emprego, apartamento e carro. Larguei tudo para viver esse mundo. Em 1992 pedi demissão e virei produtor. Trazia grandes espetáculos de São Paulo para o Sul. Mas, em 1994, quando fui chamado para um teste, não olhei para trás. Arrumei minhas malas e fui morar em São Paulo.

Jarbas Homem de Mello em 'Cabaret' | Foto: André Muzell / Ag. News
Jarbas Homem de Mello em 'Cabaret' | Foto: André Muzell / Ag. News

Tem algum arrependimento?
Jarbas Homem de Mello: Não. Nunca passou pela minha cabeça voltar para minha antiga vida. Mas, por um tempo, tive que me acostumar a largar o conforto. Aprendi a viver sem carro, o dinheiro que economizei ia diminuindo. Mas não me arrependo.

Você foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro de São Paulo pelo seu personagem em “Cabaret”. O que esse papel representa na sua carreira e vida?
Jarbas Homem de Mello: Até o momento é o personagem mais importante da minha estrada. Ele representa o auge – espero que não da minha carreira-, mas é o topo do que consegui realizar até agora. Esse foi o personagem que mais entrei de cabeça. Me preparei por nove meses e até pedi ajuda para criá-lo na minha terapia (risos).

Como é contracenar com a sua namorada?
Jarbas Homem de Mello: Ótimo. Lá dentro somos outras pessoas. Conseguimos separar bem. Claro, que nas coxias, temos um carinho especial porque estamos juntos, mas no trabalho não interfere em nada.

Já tinha se relacionado com quem estava trabalhando?
Jarbas Homem de Mello: Já. É difícil porque você acaba ficando 24 horas com a pessoa e se cria uma rotina. Mas comigo e com a Claudia é fácil porque temos o humor muito parecido. A gente até conversa de trabalho, mas de uma forma bem-humorada.

Sonha em casar e ter filhos?
Jarbas Homem de Mello: Ainda está muito cedo para isso (risos), estamos juntos há pouco tempo.

Mas você tem vontade de ser pai?
Jarbas Homem de Mello: Tenho. Não tive ainda porque a minha profissão é muito instável. Apesar de ter uma carreira consolidada, não sei qual é o momento certo, como vou educar uma criança ou garantir um bom colégio. Mas isso é uma questão de maturidade. Acho que cheguei num ponto que vi que dá para ter um filho. Comecei a entender que a vida é um pouco mais simples do que os meus medos.

Você é romântico?
Jarbas Homem de Mello: Ela é mais do que eu. Mas estou aprendendo muitas coisas com ela. Nós temos momentos muito bons sozinhos.

É verdade que a família da Claudia não aprova o relacionamento de vocês?
Jarbas Homem de Mello: Claro que não é verdade. Me dou bem com todo mundo. Não sei por que falaram isso. A gente achou esses boatos muito chatos. Eu conheço a família da Claudia muito antes de começarmos a namorar. Nós já éramos amigos. Tem umas coisas que surgem e falam, que não entendemos da onde tiram. É muito louco.

Mesmo tendo uma carreira de mais de 20 anos, o namoro com Claudia Raia te coloca como alvo de um novo tipo de fama: o das celebridades. Isso te assustou?
Jarbas Homem de Mello: No começo, um pouco. Me senti incomodado porque tinha dias que estávamos jantando e saía um cara atrás da árvore para tirar fotos nossas. É um tipo de informação que – me desculpe-, acho imbecil. E quem consome também. O que interessa eu jantando? Se fosse alguém me perguntando alguma informação cultural, tudo bem. Estou um pouco mais acostumado e brincando um pouco com isso. Até mando tchauzinho para o fotógrafo (risos). Não vou deixar de fazer nada. Mas é esquisito.

Ficou chateado por ser tachado de “namorado de Claudia Raia”?
Jarbas Homem de Mello: Isso não me incomoda não, até porque eu sou. (risos). Mas é claro que gostaria que as pessoas que me veem apenas jantando no Leblon fossem conferir o meu trabalho e vissem como eu o levo a sério. Agora, talvez eu tenha ficado conhecido pelo grande público, mas não é ele que vai me ver no teatro. Não é o público que consome esse tipo de informação, que me interessa.

Alguns veículos publicaram notas dizendo que a Claudia estaria pedindo papel para você em uma novela para alguns diretores amigos...
Jarbas Homem de Mello: Na verdade, os diretores foram vê-la no “Cabaret” porque são amigos dela. É normal que um diretor que veja um espetáculo e goste acabe pinçando algumas pessoas do elenco. Não sei por que saiu isso na imprensa.

Além de ator, você já assumiu a direção de algumas peças. Você tem vontade de dirigir a Claudia?
Jarbas Homem de Mello: Tenho. A gente já conversou sobre isso. Ela me perguntou um dia se eu a dirigiria e respondi: “Claro!”. Essa relação diretor-ator funcionaria bem com a gente. O diretor consegue captar e tirar muito mais do ator quando o conhece bem e sabe aonde pode chegar. Nós sabemos todas as nuances das emoções um do outro. Nos conhecemos muito. Nossa vontade de trabalhar juntos independe da nossa relação afetiva.

Quais são os próximos projetos?
Jarbas Homem de Mello: Além do filme e do “Cabaret”, que deve ficar em cartaz até 2013, vou dirigir um espetáculo infantil em São Paulo, “O Chapeleiro Maluco”. Espero que daqui a 10 anos, eu olhe para trás e veja que estou tão feliz como estou agora. É muito bom envelhecer e ter 40 anos. Sempre ouvi que a vida começa aos 40. Se ela não começa, com certeza, ela dá uma virada. Tanto profissionalmente, como emocionalmente.

As informações são da repórter Luisa Girão, do IG