Rio - Sumido dos palcos cariocas há três anos, o cantor franco-espanhol Manu Chao, velho conhecido da cidade, está de volta. Ele faz hoje um show quase surpresa no Circo Voador, onde ainda se apresentam os pernambucanos China e Buguinha Dub.
“Já era muita saudade”, diz, em português, Manu — que não só canta como se hospeda na Lapa. “É a área que amei, passei muito tempo aqui nos anos 90. Quero dar um mergulhinho no bairro, ver como ficou, as fofocas”, diz.
Ele, aliás, vê com reservas as mudanças pelas quais a Lapa passou nos últimos tempos. “Tem uma alma profunda que está lá, mas o bairro está se renovando de uma maneira meio chique, não sei se gosto muito. Está acontecendo em muitos lugares no mundo: o centro da cidade, que tinha sido abandonado pelas elites — agora, menina, eles estão voltando! Os preços estão subindo, o povo não consegue alugar. É um processo meio triste, mas que não é só do Rio”, conforma-se.
Manu Chao vem com o projeto ‘La Ventura’, nascido aqui no próprio Brasil, e que passeia por toda sua carreira, desde os tempos da ex-banda Mano Negra, chegando aos discos solo — o último de estúdio foi ‘Radiolina’, de 2007. Músicas inéditas também estão no repertório.
“Tem uma que escrevi aqui no Rio faz tempo, ‘Tá de Bobeira’. Nunca saiu, mas foi ficando conhecida de boca em boca”, conta ele.
Embora ele já tenha muitas canções novas, um novo disco não é um plano para agora.
“Componho sempre, a vida de cada dia é uma inspiração inacabável. Sempre produzo meus CDs e faço todo o processo. Mas meu coração está mais para ir ao boteco tocar violão do que ficar no computador mixando”, diz.
“Além disso, hoje você canta, alguém grava e joga na Internet, é bastante interessante. Outro dia, estava no meu bairro em Barcelona e o cozinheiro do boteco da frente cantou músicas minhas. Das sete, só uma tinha saído em CD. O resto, só na Internet”.






