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Rio - ‘Vou unir o batidão do gueto com o rock nacional”, diz o MC Smith. É com essa determinação que o funkeiro vai regravar as músicas do eterno poeta Cazuza.

Desde criança Wallace Ferreira da Mota, o Smith, de 24 anos, já era fã do músico, de quem carrega vários ensinamentos. “Ele não tinha medo de viver, não tinha limites nem censura”, avalia. E foi dessa paixão que surgiu a ideia do projeto ‘Brazilian Dreams’, que, além da regravação de 12 canções com novos arranjos e participações como a de Caetano Veloso, prevê a criação de uma ONG com uma escola de música e um posto de atendimento para pessoas com HIV no Complexo do Alemão. “Não vou deixar o legado dele morrer. As músicas do Cazuza tinham verdade, e o que é verdade tem que permanecer”, garante ele, prometendo ser o representante de seu ídolo.

A ideia conta com o apoio da mãe de Cazuza, Lucinha Araújo, que achou o projeto genial. “Tomara que dê certo, estou torcendo, achei ótimo. Não tenho nenhum problema por ser funk, pelo contrário, a juventude inteira ouve isso. Além de ser uma coisa nova no cenário musical”, incentiva ela.

A mãe de Cazuza foi só elogios ao funkeiro. “Realmente a voz do Smith cantando é parecida com a do meu filho”, atesta Lucinha, que, durante a entrevista, cantou com o MC ‘Vida Louca Vida’, primeira música regravada por ele.

E, para fechar o encontro com chave de ouro, Smith visitou a Fundação Viva Cazuza e conheceu as crianças da casa, que dá apoio a portadores de HIV. A emoção falou mais alto e ele não conteve as lágrimas. “Fiquei comovido com elas. Foi maravilhoso”, diz o cantor. “Eu me senti a pessoa mais feliz do mundo, senti um carinho paterno enorme”, completou, ao segurar um bebê no colo. “Hoje o dia nasceu feliz”, finaliza o funkeiro, citando seu ídolo.

‘O preconceito é ignorância de pessoas que não têm o que falar’


O funkeiro está vivendo uma ótima fase da sua carreira. Mas Smith teve um grande obstáculo para superar no passado.

Em dezembro de 2010, ele foi preso com outros funkeiros, acusado de apologia e incitação ao crime, associação ao tráfico e formação de quadrilha. “Nunca meti a mão em nenhuma droga, foi muito constrangedor. Encarei isso na realidade e com fé em Deus de que eu ia sair de lá. A cadeia é longa, mas não é perpétua. Nada acontece sem a permissão de Deus, ele me colocou lá para que eu desse mais valor à minha vida”, desabafa o cantor.

Outra dificuldade foi o acesso às rádios por ser funkeiro, mas ele garante que já superou isso. “O preconceito é pura ignorância de pessoas que não têm o que falar, mas um dia isso vai acabar, tudo é uma fase, o samba passou por isso. Eu vou conseguir mudar, os funkeiros vão me apoiar”, acredita.