Rio - Nanda Costa é a protagonista da vez. Prestes a estrear o filme ‘Febre do Rato’ — longa do diretor Cláudio Assis que acaba de ganhar três prêmios no Cine Ceará e oito no último Festival de Paulínia —, ela está encarando um duplo desafio. Na produção, prevista para estrear dia 22, a atriz vive cenas tórridas na pele da estudante Eneida. Já em ‘Salve Jorge’, próxima novela das nove da Globo, vai ser vítima do tráfico internacional de mulheres.
Nanda é protagonista de 'Salve Jorge' | Foto: Divulgação
Para fazer o filme, ela se despiu de qualquer pudor: aparece totalmente nua, beija outra mulher, participa de uma orgia, tira xerox de suas partes íntimas e ainda se masturba em cena. “Quando Cláudio me convidou, avisou: ‘O roteiro é esse, mas a coisa vai mudando’. Sobre a cena da masturbação, por exemplo, ele disse: ‘Não sei se você tem coragem de fazer’. Eu já tinha ficado pelada em cima de um carro, não ia ser nessa hora que diria não. Já era a última cena, uma noturna, e ele tirou a equipe toda do set”, lembra ela, realizada.
Mas, apesar da sensação de dever cumprido, não foi fácil para ela assistir a essas sequências. “É um pouco desconfortável. Uma amiga atriz disse que não conseguiria fazer. Mas eu consegui. Minha mãe curtiu o filme, mas seria mais fácil se fosse a filha de outra pessoa”, conclui.
Em ‘Febre do Rato’, Nanda é uma estudante que mexe com a cabeça de Zizo (Irandhir Santos), um poeta anarquista da década de 70, que fica louco por ela.
Durante uma das investidas dele, a atriz protagoniza uma das cenas mais fortes do longa: aparece fazendo xixi na mão de Zizo. “Foi difícil. Eu bebi muito chá verde. Era um plano sequência e eu tive que me segurar”, admite ela.
Já as cenas de beijo lésbico não a incomodaram. “Eu acho tranquilo. Não deixo a vaidade me influenciar. Nada ali é gratuito. Eneida beija um casal, mas são dois atores. A gente sabe onde começa e onde termina a brincadeira”, diz ela, que caiu de cabeça nesse projeto, ao lado de Matheus Nachtergaele e Juliano Cazarré, em cima da hora.
O papel original era de Maria Flor. “O filme foi mudando de data, Maria Flor ia fazer ‘Aline’, seriado gravado bem na época das filmagens. Fiquei sem atriz, procurei várias e, quando conversei com Nanda, percebi que era ela. Se fosse com a Maria Flor, tudo poderia ter outro resultado”, afirma Claudio Assis, que também dirigiu os premiados ‘Amarelo Manga’ e ‘Baixio das Bestas’.
Mesmo assim, Nanda conta que não foi fácil conquistar o diretor, que chegou até a provocá-la no set, depois que ela recebeu um prêmio em Miami. “Ele disse: ‘Pronto, ‘tá’ metida’’. Você é muito bonitinha, atrizinha da Globo’. Ele provocava, cobrava atitude. O personagem pedia cabelo longo, então fui lá e cortei o cabelo bem curtinho”, atiça.
DESAFIO NA TELINHA
Com a estreia da nova novela de Gloria Perez, prevista para outubro, Nanda Costa vai entrar para o posto de atriz de primeiro time na TV. E a atriz de 25 anos tem uma missão nada fácil: substituir Juliana Paes no papel principal de ‘Salve Jorge’.
“Como protagonista, é meu maior desafio. Mas, quanto mais personagens diferentes, melhor. Posso estar nua em cima de um carro, sem qualquer vaidade e, ao mesmo tempo, na novela. Faço de tudo”, vibra Nanda. “Mas tento não pensar no tamanho, na dimensão do papel. Quanto a essa questão da Juliana, não estou fazendo a personagem que seria dela. A Gloria reformulou a sinopse”, avisa.
No folhetim — que também traz Fernanda Paes Leme e Tiago Abravanel no elenco — ela vive uma moradora do Complexo do Alemão, ainda sem nome, que é traficada para a Turquia, onde é escravizada sexualmente. “A novela não quer se relacionar só com esse país. É um processo internacional”, acredita a atriz, que comemora a função social da trama. “Vai servir de alerta para que muitas meninas não caiam mais em qualquer proposta. Também quero fazer uma homenagem àquelas que não voltaram”, conta Nanda.
Para o papel, ela está fazendo um workshop intensivo. “Faço aula de dança, samba e funk. Vejo muito filme, estou lendo muito material de pesquisa que a Gloria fez também”, confidencia ela.
Sua maior dificuldade é ler relatos de mulheres que foram traficadas sem cair em prantos. “A história que mais me tocou foi a da família da Kely, que foi traficada e depois assassinada em Israel. Eu já tinha lido uma notícia e visto na pesquisa. Mas, quando encontrei a mãe e a irmã, foi outra coisa”, se entristece.
Segundo Nanda, Kely morava em Guadalupe, na Zona Norte. Em 1998, a moça recebeu uma proposta para trabalhar em Israel como garçonete. Antes mesmo de chegar lá, percebeu que seria usada como prostituta e teve seu passaporte confiscado pela máfia russa.



