Rio - Em reunião ontem, em Brasília, com o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, os caminhoneiros se comprometeram a suspender, até o começo da manhã de hoje, os bloqueios na Via Dutra, que duraram sete dias. Com o fim da manifestação, fica descartado o risco de desabastecimento de carnes, cereais e outros itens da cesta básica da família carioca. Mas o consumidor ainda pode encontrar preços mais altos.
Com bloqueio da Dutra, ambulante aproveitou para vender produtos para quem estava preso no engarrafamento | Foto: Wilton Junior/ Ae
Em longa negociação — a reunião durou quase cinco horas — o Movimento União Brasil Caminhoneiros concordou em liberar as estradas gradativamente em troca do adiamento da aplicação da Lei 12.619, que regulamenta a jornada da categoria. O acordo não agradou a todos os motoristas parados na Dutra. Alguns chegaram a insistir na paralisação, mas a grande maioria informou que voltaria a rodar hoje.
Ficou marcada nova reunião, para a próxima quarta-feira, quando serão discutidos mecanismos para garantir aplicação de regras impostas pela medida, como o descanso de 11 horas entre duas jornadas de trabalho.
ALÍVIO NOS MERCADOS
A notícia do fim da paralisação nas estradas foi recebida com alívio pelos donos dos supermercados do Rio. “É possível que haja uma falta de hortifrutigranjeiros, o que se dará de forma momentânea. Mas o abastecimento estará normalizado já no início do dia. Os trabalhos vão acontecer durante toda a noite”, avaliou Aylton Fornari, presidente da Associação de Supermercados do Rio (Asserj).
O consumidor, no entanto, precisará ter cautela na hora da compra. Isso porque os preços podem estar mais altos. É o que prevê o economista e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marco Aurélio Cabral.
“Nos próximos dias os alimentos podem apresentar uma ligeira alta, mas a tendência é que até o fim da semana, com a normalização do abastecimento, os preços se mantenham na mesma faixa em que estavam antes da paralisação”, afirma.
BR Distribuidora e Sinduscom afastam risco de desabastecimento
A manifestação dos caminhoneiros, que parou a Rodovia Presidente Dutra ao longo da semana, não vai afetar o fornecimento de combustíveis para o Estado e a capital do Rio.
Segundo a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, não há risco de desabastecimento na capital fluminense, já que os postos do Rio de Janeiro contam com o fornecimento da Reduc — Refinaria de Duque de Caxias.
A falta de gasolina, gás e álcool nas cidades do interior do estado também foi descartada pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes.
ATRASOS DE ATÉ 5h
Na Rodoviária Novo Rio, viagens para Santos registraram atrasos de quatro a cinco horas no horário. Para quem vinha de São Paulo, a espera também durou o mesmo período. Entre os destinos que mais sofreram com atrasados estão, além de São Paulo, Resende, Caxambu, Barra Mansa e Barra do Piraí.
Para fugir dos bloqueios na Rodovia Presidente Dutra, as empresas de ônibus adotaram rotas alternativas. Motorista da linha Expresso do Sul, que faz o trajeto Rio-São Paulo, Marques Santos, saiu às 10h45 da capital paulista e teve que fazer baldeação para chegar ao Rio. Ainda assim, só estacionou o carro na Rodoviário Novo Rio só às 19h25: “Tive que fazer caminhos por Barra Mansa”
PACIÊNCIA
Estudante de 29 anos, Fabiana Dias diz que foi preciso muita paciência. “Geralmente são, no máximo, seis horas de viagem. Dessa vez, foram quase nove horas”, conta a jovem.
O mesmo aconteceu com a assistente social, Elisângela Monteiro, 40 anos, e a mãe, Olgarina Nascimento, 64. Elas foram surpreendidas pelo cansaço de nove horas de viagem: “Quando entramos na Dutra, vimos que só uma faixa estava acessível”.
De acordo com o Sindicom, até a noite de ontem as atividades de distribuição ocorreram dentro da normalidade.
“Foram observadas apenas dificuldades pontuais no atendimento a clientes localizados em regiões que dependem do trânsito em vias bloqueadas. Para estas situações, as associadas estão buscando rotas alternativas para o abastecimento”, informou em nota.


