Rio -  O que levou 300 mil servidores federais, segundo sindicatos, ou 80 mil, conforme o governo, a paralisar as suas atividades e prejudicar a rotina de estudantes de universidades, passageiros em aeroportos e motoristas em quilômetros de engarrafamento? A Coluna saiu em busca de respostas e, abaixo, é possível conferir os principais passos e erros que culminaram na greve de 28 classes no País.

Foto: Arte: O Dia
Arte: O Dia

Para o analista Político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, a primeira falha do governo foi a demora na escolha do substituto do secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, que morreu em janeiro deste anos, após não ser atendido em dois hospitais no Distrito Federal, em Brasília.

Principal interlocutor do governo, Duvanier foi substituído 47 dias depois pelo secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, abrindo vácuo no processo de negociação salarial deste ano.

COMBUSTÍVEL NO INCÊNDIO

“Foram dias que ficaram estagnados que poderiam ter feito toda a diferença. Em muitos casos, as negociações recomeçaram do zero. Outro erro foi empurrar as reuniões para este mês, quando se encerra o prazo de envio do Orçamento de 2013 ao Congresso. As categorias ficaram assustadas com a possibilidade de ficar sem aumento e iniciaram movimento de greve em áreas cruciais”, aponta Queiroz.

O analista também destaca que a ordem de corte de ponto e o decreto que autorizou a substituição dos servidores em greve provocaram a ira do funcionalismo: “Foi como apagar incêndio com combustível. A ‘chama’ aumentou ainda mais”.

Para o presidente da Adufrj, Mauro Iasi, um dos principais erros do governo foi assinar acordo com sindicato pouco representativo. “A greve continua porque o governo as portas quando estávamos caminhando para negociar. Optou por resposta unilateral e ignorou 54 universidades”, disse.