Rio -
Viajei no Carnaval e voltei na madrugada da Quarta-Feira de Cinzas, pelo Galeão. Experimentei o sofrimento dos que chegam ao Rio: lojas fechadas, banheiros sujos e falta de transporte.
O martírio começa na porta do desembarque, onde estão os guichês das cooperativas de táxis. Precisávamos de dois carros grandes e pedimos rapidez. Pagamos, por cada um deles, R$ 129. Uma cooperativa ofereceu dois utilitários, com espera de cinco a 10 minutos.
Tíquete pago, grupo no calçadão com as malas, cadê os táxis? Após meia hora, apareceu um sedan. Mais 10 minutos e chegou um utilitário. Meu grupo se dividiu nos dois carros, com bagagens nos colos, porque nos porta-malas havia cilindro de gás. Conversando com um dos motoristas, comentei que o movimento deveria estar bom, porque faltavam veículos, e o rádio repetia: “terminais 1 e 2 zerados, passageiros na espera”.
O motorista, com cara de poucos amigos, disse que estava nos fazendo um favor, porque já ganhara, na Sapucaí, o suficiente para o mês. “As cooperativas estão sem carro porque os motoristas estão folgando e só voltam a trabalhar na quarta-feira à tarde”.
No outro táxi, o motorista queria adicional por deixar passageiros em locais diferentes no mesmo bairro. Tom Jobim ficaria envergonhado de dar o nome a um aeroporto que funciona mal e com táxis organizados em cooperativas que atuam sem regras.
Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec





