Rio - O acúmulo de lixo na Baía de Guanabara afetou a rotina de milhares que dependem do transporte marítimo para chegar ao trabalho. Nesta segunda-feira de manhã, dois catamarãs da linha Charitas-Praça 15 apresentaram problemas devido à quantidade de detritos na baía, causando atrasos de 40 minutos nas viagens e fila longa. A causa do transtorno estava do outro lado do espelho d’água, nas margens sujas de cidade da Baixada.
Às 6h35, o catamarã Avatares falhou antes de partir de Charitas, em Niterói, em sua primeira viagem. Lixo se acumulou em engrenagem que deixa entrar água para refrigerar motor. Quinze minutos depois, o problema se repetiu, e segunda limpeza foi feita.
Já o catamarã Apolo teve problemas ao atracar na Praça 15, também por conta de excesso de detritos.
Tráfego marítimo de catamarãs só se normalizou por volta das 10h | Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia
A embarcação ficou em manutenção toda manhã. A travessia foi feita só por duas barcas. A espera para embarcar foi de 40 minutos, contra os 15 habituais. A situação só se normalizou às 10h.
No Twitter, passageiros reclamaram. “É um total desrespeito com os usuários. A estação Charitas está com fila de espera de 30 minutos”, desabafou Maurício Nogueira.
Segundo a concessionária CCR Barcas, a aspiração de lixo flutuante na Baía pelas embarcações é recorrente, principalmente após fortes chuvas. De acordo com empresa, além da entrada de lixo no motor, os resíduos podem até quebrar peças nas barcas.
O oceanógrafo David Zee afirmou que a chuva foi um fator preponderante para carregar o lixo, que é jogado nas margens dos rios para a baía.
“A falta de coleta de lixo em municípios densamente povoados, como Duque de Caxias, faz com que as pessoas joguem o lixo nas margens. Esse material pesado, como plástico e troncos de árvores, pode quebrar as hélices ou o leme dos navios, deixando-os à deriva”.

