Rio -
Há tempos, Zuenir Ventura divulgou feito do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, como autor de gesto humanitário e solidário, anônimo, com um casal vítima das enchentes em Friburgo do ano passado. Ocorreu-me que seria oportuno lembrar, a partir deste caso, que temos uma elite social e empresarial com exemplos, desde sempre, na ação social desinteressada. E creio que tudo começa com o Imperador Pedro II e sua filha, Princesa Isabel, cujo processo de beatificação já corre no Vaticano, como já me referi aqui.
O Rio ganhará um hospital voltado para o câncer infantil, sonho da doutora Rosa Célia. Um investimento de algumas dezenas de milhões de reais, doações de empresários e fruto do esforço benemérito de dedicadas senhoras, como Gloria Severiano Ribeiro e a primeira-dama Adriana Anselmo. Respeito o primeiro grande benfeitor por ser homem que cultua o anonimato, que doou o terreno de Botafogo. E as empresas que não buscaram publicidade no apoio que vêm dando.
Gisella Amaral, em torno dos 70 anos, tem mais de meio século de dedicação semi-integral — não integral por ter sido filha, e ser esposa e mãe dedicada — e que conheço bem. Desde a mocidade, lendo para cegos, montando apadrinhamentos para menores carentes, batalhando por entidades voltadas para salvar a juventude das drogas, numa luta ininterrupta. Sou seu companheiro na ABBR e em outras entidades, como o Sorrio, que criou para orientar aos que ajudam. Mulher de fé inquebrantável, lutou com coragem e dignidade contra um câncer, e o venceu, certamente, tanto quanto pela medicina como pela fé e a proteção que fez por merecer lá de cima. Estou convencido de que temos homens e mulheres de grandeza humana, que merecem admiração e proteção divina e nos coloca na posição de assumir responsabilidades para não perder o respeito a nós mesmos. Praticar a caridade está em todas as religiões.
Tivemos, aqui no Rio, grandes exemplos de dedicação às obras sociais, desde dona Darcy Vargas, e sua filha Alzira, na Casa do Pequeno Jornaleiro; a Gilda Rocha Miranda Sampaio, na Pró-Matre; passando por Malu Rocha Miranda, Marisa Murray, Ligia Lowndes, na ABBR; embaixatriz Regina Regis Bittencourt, no Asilo São Luiz; Lea Duvivier, no Patronato. Mas é em Gisella Amaral, minha querida amiga, que constato ter feito da caridade e da evangelização um apostolado.
Nem tudo está perdido, amigos. Tem muita gente que nasceu para servir. Vamos tentar seguir estes exemplos por uma cidade melhor.
Aristóteles Drummond é jornalista





