Rio -  A palavra Carnaval, na sua religiosidade, quer dizer ‘carne vale’, isto é, ‘despedida da carne’, indicando que nesse período o consumo dela seria lícito pela última vez antes dos dias de jejum quaresmal.

Nesse período festivo, há um tipo de ‘enlouquecimento temporário’ de alguns que aguardam o ano inteiro para poder transgredir, e nunca entendi o porquê disso. Afinal, qual é mesmo a graça de fazer sexo sem preservativo em tempos modernos, onde, após sucessivas campanhas, temos a certeza de que o HIV existe, pega e pode matar? E beijar pra fazer número? Qual o prazer escondido nessa prática? O de contar vantagem pela quantidade, e não pela qualidade da boca?

Beber até cair... essa nem nas melhores enciclopédias do mundo há motivos. Beber deve ser um ato que nos descontraia, nos cause alegria, relaxamento, prazer. Não vômitos, tonteiras e perda da consciência.

Xixi na rua é um caso de polícia. Algum folião faria xixi na porta da sua própria casa, ou ainda, na roda do seu próprio carro? Então por que no Carnaval se dá esse direito? Porque obrigam a outros, inclusive aos turistas que visitam nossa terra, a assistir tamanha falta de educação? Turistas são embaixadores da opinião que marcamos em seus corações. Levam as experiências que tiveram aqui pro lugar deles e nos divulgam gratuitamente. Cuidemos dos turistas; se não por amor, ainda que seja por interesse, mas cuidemos!

Acho que do lixo nem preciso falar, porque alguém ainda acha que quando joga sua latinha ou garrafinha na rua ela se desintegra sozinha? Quando chover e a cidade alagar por bueiros entupidos, vai ficar claro o que acontece: vidas perdidas com desabamentos, mortes e afogamentos que talvez pudessem ser evitados caso houvesse mais carinho e cuidado com a coisa pública.

Os governos têm, sim, que fazer sua parte. Mas governo nenhum do mundo será suficiente numa população sem princípios mínimos de boa convivência e paz.

Claudia Cataldi é jornalista e presidente do Instituto Responsa Habilidade