Rio -  Em 1983, Caribé da Rocha, então presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, já denunciara: “O Carnaval na primeira quinzena de fevereiro é um desastre econômico para o Rio, pois reduz os três meses da temporada do verão carioca à metade”. O Carnaval do Rio, hoje, é um evento do turismo e da economia. Minha sugestão é fixá-lo no primeiro domingo de março.

Fato análogo já ocorreu em Parintins. O festival folclórico acontecia nos dias 28, 29 e 30 de junho, datas consagradas à santa padroeira da ilha; mas, se caísse no meio da semana, o município saía perdendo. Lá, eles romperam com a tradição e alteraram as datas para a última semana do mês. Mesmo no Rio há exceções consagradas: a festa da vitória na quadra da escola vencedora e o Desfile das Campeãs se realizam em plena Quaresma, sem que signifique desrespeito religioso.

A reboque da febre avassaladora das micaretas, que invadem o País todo o ano inteiro, o Carnaval brasileiro deixou de ser um rito nacional em obediência ao Calendário Gregoriano e se transforma em festa especializada de cada cidade, de acordo com os interesses climáticos, turísticos e econômicos. No Rio, com a explosão dos blocos e a profissionalização crescente das escolas de samba, é primordial que essa indústria trabalhe com calendário que beneficie a todos.

Basta citar que, pelo calendário religioso, em 2016, ano-chave para o Rio, por causa das Olimpíadas, a Terça-feira Gorda cairá em 9 de fevereiro. É muito cedo.

Nesse sentido, sob nossa orientação, o deputado federal Stephan Nercessian redigiu projeto de lei fixando a data do Carnaval para o primeiro domingo de março.

Hiram Araújo e pesquisador do Centro de Memória da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro