Rio -  De Cajuri para Viçosa, de lá para Juiz de Fora, Volta Redonda, Congonhas do Campo, São Paulo, Rio de Janeiro. A vida de Wando foi assim, de cidade em cidade, a bordo de um caminhão, levando frutas e legumes, vendendo nas feiras livres, entregando jornal de porta em porta. Começou a trabalhar com 14 anos. Aliás, foi a feira livre a grande responsável, direta e indiretamente, pela carreira dele. Primeiro porque o sustentou até os 19 anos. Depois porque atrapalhou sua vida, quando Wando começou a cantar na noite e não conseguia abrir sua barraca cedo. Naquela época, chamava todas as freguesas da feira de moças e não sabia que era compositor. Com o violão emprestado de Tarcísio, filho do médium Zé Arigó, ele chegou a São Paulo, com uma música pronta (“o importante é ser fevereiro e ter Carnaval pra gente sambar”). Jair Rodrigues enlouqueceu com ‘O importante é ser fevereiro’ e em 30 dias Wando tinha dinheiro no bolso e a música estourava em todas as rádios. Isto foi em 1973. No ano seguinte, fez a música ‘Moça’ (“sei que já não és pura”), se descobriu um romântico, percebeu que as mulheres estavam querendo ser mais ousadas e vendeu 1 milhão e 200 mil discos. A partir daí, cantou ‘Obsceno’, ‘Vulgar e Comum é não Morrer de Amor’ e ‘Fogo e Paixão’. Mas foi com ‘Tenda dos Prazeres’(1990) que as calcinhas viraram destaque na vida de Wando. Ele entrou numa que o antigo elepê (aquele, de vinil) serviria perfeitamente para ser um porta-calcinha. O povo da gravadora não gostou muito, ele bateu pé e todos os jornalistas receberam o disco dentro da calcinha. As lojas, não. Deu a maior confusão, as compradoras achavam que o lojista tinha roubado a calcinha do disco. Wando aproveitou a onda e começou a jogar calcinha, do palco, para as fãs, nas plateias dos shows. E elas retribuíram. Resultado: Wando tinha, em casa, cerca de 15 mil calcinhas. De todos os tamanhos, cores e procedências. Aliás, ele dava boas gargalhadas contando que era o único homem que podia chegar em casa carregando muitas calcinhas que a mulher dele não podia reclamar. E não podia mesmo: ela mesma, Renata, jogou uma calcinha, francesa, pra ele, num show no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Alegre, Wando era um sujeito desconfiado. Não gostava de ver mulher falando palavrão, nem de mulher fácil, nem que falasse muito alto ou gritasse. Dizia que as mulheres gostam de homens que levam café na cama e de vez em quando fazem uma proposta indecente. Wando dizia que o que mais teve na vida foi sorte: “Uma estrela passou, segurei o rabo dela e não soltei mais”. Agora, Wando “raio, estrela, luar” está com ela. Pena que foi embora tão cedo.