Rio - O Carnaval não foi “instituído pela Igreja”, mas é uma festa popular que nasce em contexto cristão como uma despedida da carne, da qual, em outros tempos, os cristãos se absteriam por 40 dias; daí que o último dia é apelidado de Terça-feira Gorda. Descobre-se sua data a partir da primeira Lua Cheia do nosso outono. O domingo seguinte é a Páscoa. Retrocedemos 47 dias e teremos a Quarta-feira de Cinzas. Hoje, na Internet, há sites e programas que informam quando cairá.
E a hipótese de se fixar uma data? Pessoalmente acho uma ideia esdrúxula. O Carnaval é uma festa que está presente em vários países, e sempre nesta época — os exemplos de ‘carnavais’ com data fixa em outras nações são ‘festivais’ com um sentido diverso do nosso. Assim, uma mudança dependeria de uma negociação internacional se não quisermos ficar sem o turista estrangeiro que não estará de folga... Digo isso para contrastar, como cidadão, os argumentos de índole econômica que têm sido aduzidos; como sacerdote, mas ainda emitindo um ponto de vista pessoal, diria que temos brigas mais importantes em favor da vida, da justiça, dos direitos de Deus e dos cristãos que compõem a sociedade.
Liturgicamente, a fixação de um período só trará maiores inconvenientes quando coincidir dentro da quaresma que, obviamente, continuaremos celebrando. Em tal caso, deveremos pedir aos cristãos maior sobriedade do que hoje o bom-senso indica. Aliás, ao contrário do que se quer fazer crer, a imensa maioria da população carioca e brasileira passa um Carnaval muito decente! Em família, com os amigos, viajando; para variar, é uma minoria que traz má fama.
Sérgio Costa Couto é monsenhor da Arquidiocese do Rio






