Rio -  Enquanto doentes agonizam na esperança de um novo órgão, um verdadeiro anjo da guarda zela para que o procedimento seja feito logo e mais vidas possam ser salvas. O técnico em contabilidade Carlos Roberto Cabral, 53, presidente da ONG Dohe Fígado (Associação dos Doentes e Transplantados Hepáticos do Estado do Rio de Janeiro), vive em permanente vigília para fazer a fila de transplante de fígado andar.

Quem pendurou a medalha no pescoço de Carlos foi a pequena Eloá, que sobreviveu graças a transplante | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Quem pendurou a medalha no pescoço de Carlos foi a pequena Eloá, que sobreviveu graças a transplante | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia

Carlos foi beneficiado com um transplante em 2002, mas não abandonou a luta por um tratamento eficiente na rede pública. Conhecedor das dificuldades, acompanha para que órgãos de possíveis doadores não sejam desperdiçados.

A Dohe Fígado reúne mais de 400 pacientes transplantados e outros 590 que aguardam uma chance. Os doentes estão nos ambulatórios do Hospital do Fundão ou do Hospital Geral de Bonsucesso. É o contador que os organiza e orienta. Quando preciso, entra na Justiça para defender direitos de atendimento e fornecimento de remédios.

‘MASCOTE’ REPRESENTA VITÓRIA

Por sua incessante busca por soluções para pessoas que vivem o mesmo drama pelo qual passou, Carlos é o 36º homenageado pelo jornal O DIA com a medalha ‘Orgulho do Rio’, concedida a pessoas que se dedicam a oferecer melhor qualidade de vida à população do Rio. Quem pendurou a medalha em seu pescoço foi a pequena Eloá Fontoura da Costa, 8 anos, que sofria de câncer no fígado e, com a ajuda da ONG, conseguiu o transplante através de decisão judicial quando tinha só 1 ano e oito meses.

“Ter conseguido a sobrevida já é prêmio inestimável, mas, com o reconhecimento representado por esta medalha, ganho forças para continuar lutando pelos que sonham em ter a mesma chance que, um dia, eu tive. Em 2011, foram apenas 82 transplantes”, conclui ele, que também se empenha em coletar alimentos para ajudar dezenas de famílias inscritas no ‘Programa da Criança Hepática’.
 
Carlos sofria de atrofia nas veias biliares, esperou 545 dias pelo transplante, período em que teve 22 crises e internações. Após duas chamadas frustradas, o contador recebeu o fígado de um universitário de 18 anos, que morrera em acidente de automóvel.

Reportagem de Cláudio Vieira