Rio -  Agentes da Divisão de Homicídios (DH) fizeram, na manhã desta quarta-feira, a reconstituição da morte do estudante Elizeu Santos Trigueira da Silva, de 15 anos. Atingido por tiros de fuzil, ele morreu na última sexta-feira na Favela do Arará, em Benfica, na Zona Norte da cidade. Homens do Batalhão de operações Policiais Especiais realizavam operação na comunidade.

Mãe do adolescente, a diarista Áurea Cristina da Silva Santos, de 41 anos, participou da reconstituição | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
Mãe do adolescente, a diarista Áurea Cristina da Silva Santos, participou da reconstituição | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

Nesta segunda-feira, a Polícia Civil começou a ouvir testemunhas do crime. A primeira a prestar depoimento, na DH, foi a mãe do adolescente, a diarista Áurea Cristina da Silva Santos, 41. Ela reafirmou ter presenciado, da janela de seu apartamento — no terceiro andar de um prédio na entrada da comunidade — , homens do Batalhão de Operações Especiais executarem o filho, na noite de sexta-feira.

A advogada da família, Flávia Fróes, criticou o fato de não ter sido feita perícia local. “Chegou-se ao cúmulo de o pai de Elizeu (João Batista Trigueiro da Silva, 42) ter que fazer o papel dos peritos: ele próprio recolheu, mesmo com tanta dor no coração, duas cápsulas de fuzil no lugar onde o filho morreu para entregar à polícia”, revelou Flávia, que pediu medidas protetivas para os parentes da vítima.

“Eles estão sendo ameaçados de morte. Exigimos que o Bope suspenda as ações na Arará, iniciadas sexta-feira, pois a presença dos PMs já é uma ameaça, inclusive para outras testemunhas”.

A DH alega que não fez perícia porque o local teria sido desfeito, mas que fará reconstituição do crime. Laudo cadavérico, segundo João Batista, revela a violência com que Elizeu foi morto. “Ao invés de três tiros, como pensávamos, foram quatro.

Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Familiares durante enterro do adolescente | Foto: Severino Silva / Agência O Dia

Além de um disparo na testa, outro no rosto e outro no tórax, o quarto quebrou o pulso direito do meu filho. A mão ficou presa pela pele. Sinal de que ele estava completamente indefeso”, lamentou.

No dia do crime, Áurea, ao se desesperar na janela, após ter jogado a chave para o filho, teria também sido alvo de um tiro de fuzil.

Ela não se feriu, mas a bala fez um rombo no teto. No Twitter, o Bope alegou ter encontrado o jovem ferido e o levado para o Hospital Geral de Bonsucesso.