Rio -  O exemplo está a cerca de 130 quilômetros. Para especialistas e autoridades, o crescimento desordenado e aumento da criminalidade em Macaé, na década de 80, servem comomodelo para se evitar problemas em Itaboraí.

Em 2010, dois anos após o início das obras do Comperj, estudo do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontou na cidade da Região Metropolitana taxa de homicídios de 44 por 100 mil habitantes, acima da média estadual de 29,8.

Na ocasião, a população era de 218 mil habitantes — hoje estima-se que são mais de 300 mil. Desde domingo, O DIA mostra o aumento da violência em Itaboraí.

Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia
Cidade está crescendo rapidamente devido à instalação do Comperj | Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia

“Sem ações municipais e estrutura, a tendência é o caos. Terá favelização, excesso de homem solteiro e aumento da violência, consumo de drogas e álcool. É só olhar para Macaé em uma escala ampliada”, comparou José Augusto Rodrigues, sociólogo da Uerj .

Para o urbanista Celso Gerbassi, a falta de projetos a longo prazo acarretará problemas de saneamento básico e abastecimentos de energia e água.

No meio do ‘boom’ demográfico, a população reclama. Segundo moradores, o aumento dos casos de estupro estariam relacionados à má iluminação urbana. “Já encaminhamos ofícios, mas a Prefeitura não faz nada”, informa Dinarte Nunes, presidente do Conselho de Segurança.

Com base no estudo do ISP, a solução é integrada. “As ações devem envolver governos municipal, estadual e federal”, completou o diretor do ISP, tenente-coronel Paulo Augusto Teixeira. Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Itaboraí não se pronunciou sobre o assunto.

Equipamentos de segurança nas residências

Preocupados, moradores decidiram investir em segurança por conta própria. É comum encontrar sistemas de câmeras e cercas elétricas pela cidade. "Hoje, a gente não conhece 40% da população.

Se Itaboraí vai se tornar um lugar difícil, não vou pagar para ver. Vou embora no ano que vem, se continuar violento", revelou o comerciante Altair Aguiar Silva, 54.

Segundo empresários do ramo de segurança, a procura por equipamentos aumentou 50% desde 2010. "Até mesmo empresas que não chegaram à cidade já pediram sistemas eletrônicos", disse Carlos Henrique Pinto, proprietário da Vitória Monitoramento.

Mão de obra 75% local

Do lado dos trabalhadores da região, a valorização da mão de obra está em debate. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Mobiliário de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom), a situação evoluiu, mas pode ficar ainda melhor.

“Diziam que não tínhamos mão de obra qualificada e a maioria vinha de fora. Hoje são contratados 75% de pessoas da região, mas queremos a totalidade. O dinheiro tem que circular aqui dentro”, enfatizou o presidente, Manoel Vaz.

A Petrobras informou que criou o Centro de Integração do Comperj para valorizar a mão de obra local. Serão qualificados 30 mil profissionais da região, já tendo 8,9 mil empregados.

Atualmente, mais de 19 mil pessoas trabalham diretamente nas obras, e 200 mil indiretamente. A empresa espera estimular ainda o desenvolvimento de microempresas na cidade.