Rio - Quatro cantores de funk foram presos ontem, acusados de fazer apologia ao tráfico e exaltar em suas músicas criminosos da facção Comando Vermelho. Os funkeiros eram investigados há um ano pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que recolheu CDs ‘proibidões’ com as músicas e vídeos divulgados na Internet. As músicas que aparecem nas imagens fazem referências a traficantes presos ou procurados pela polícia.

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Foto: Deisi Rezende / Agência O Dia


Um dos vídeos, que cita os criminosos como Fabiano Atanázio da Silva, o FB, chefão do Complexo da Penha, e Marcelo da Silva Soares, o Macarrão, da Favela Antares, em Santa Cruz, chega a ter 400 mil acessos. As letras também incentivariam, segundo a polícia, o roubos de veículos e o uso de armas poderosas.

De acordo com a delegada Helen Sardenberg, os funkeiros teriam confirmado que alteraram as letras para exalar os bandidos e que cantavam em bailes de favelas a pedido de traficantes. O advogado dos acusados negou que seus clientes tenham feito declarações e vai pedir a soltura deles.

“As letras eram adaptadas dentro de cada localidade, mas sempre para enaltecer o criminoso. Em um dos piores vídeos, que gerou os mandados de prisão, eles incitam o público a fazer a sigla da facção. Não estamos reprimindo o funk, mas as pessoas que usam a música para o lado ruim”, disse a delegada.

Wallace Ferreira da Mota, o MC Smith; Frank Batista Ramos, o MC Frank; o irmão dele, Fabrício Baptista Ramos, o MC Tikão; e Max Muller da Paixão Pessanha, o MC Max, foram presos em suas casas, quando dormiam. Todos já moraram no Complexo do Alemão, mas atualmente viviam na Penha, Olaria e Madureira. A polícia pedirá a quebra dos sigilos telefônicos dos acusados, que foram indiciados por incitação ao crime, apologia, associação para o tráfico e formação de quadrilha.

Num dos vídeos, Frank e Tikão aparecem no Morro da Chatuba, na Penha, e dizem que vão fazer ‘comercial’ da facção e perguntam: “Sabe onde o bonde tá? Tá na Rocinha com o Nem”. Segundo o diretor de Polícia Especializada, Ronaldo Oliveira, o objetivo seria enganar a polícia, pois traficantes do Comando Vermelho não teriam ido para a Rocinha.

MC Smith foi investigado por estupro

Segundo a delegada, os cantores gravavam versões sem apologia para divulgação em clubes, festas e rádios. No entanto, as versões ‘proibidas’ eram feitas nas comunidades com ordem dos traficantes. As vozes dos CDs originais serão comparadas no laboratório da polícia com os discos piratas apreendidos.

Nas casas dos funkeiros, também foram recolhidos computadores e cordões de ouro. Em um dos vídeos monitorados pela polícia, traficantes aparecem apontando fuzis para o alto.

MC Smith foi investigado em um procedimento de janeiro da 38ª DP (Irajá) por estupro de vulnerável e corrupção de menores. Segundo o delegado Leandro Gontijo, ele foi pego dirigindo sem habilitação, com maconha e uma adolescente de 13 anos. Ao sair preso da delegacia ontem, ele foi reconhecido e cumprimentado por crianças.