Rio -  O estudante Vítor Suarez Cunha, 21 anos, espancado semana passada ao defender um morador de rua na Ilha do Governador, deve receber alta do hospital nesta terça-feira. Ele foi transferido nesta segunda do CTI para um quarto do Hospital Santa Maria Madalena. A vítima precisou colocar 63 pinos no rosto.

"A cirurgia foi muito boa e ele deve receber alta hoje (terça) ou amanhã (quarta)", disse o médico Leonardo Peral. Dois acusados de cometer o crime são procurados pela polícia nesta terça-feira. Felipe Melo dos Santos,o Geminha, 19 anos, e Edson Luís Júnior, o Flin, 18 anos, estão entre os cinco acusados.

Rafael Zanini é acusado de impedir que amigo de Vítor pedisse socorro durante agressão | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Rafael Zanini é acusado de impedir que amigo de Vítor pedisse socorro durante agressão | Foto: Severino Silva / Agência O Dia

Felipe foi encontrado nesta segunda no posto de vistoria do Detran da Ilha do Governador, onde faz estágio. O acusado foi ouvido no início da tarde e liberado logo depois, já que ainda não havia um mandado de prisão contra ele. Agentes da 37ª DP (Ilha do Governador) prenderam nesta segunda-feira mais um acusado, Rafael Zanini Maiolino, 18.

O morador de rua também foi localizado nesta segunda-feira pelos policiais. Identificado como João Araújo Teles, 47 anos, ele afirmou em depoimento que não se lembra de nada do dia da agressão. Acompanhado de seu advogado, Rafael se apresentou na manhã desta segunda-feira na delegacia. Segundo o delegado titular da 37ª DP, Deoclécio de Assis, o acusado não teria agredido Vítor diretamente. Ele teria segurado um amigo da vítima para impedi-lo de separar a briga.

“Naquele momento, Rafael não estava com o grupo. Ele saía da casa da namorada quando a confusão começou. Como conhecia o grupo, acabou impedindo o socorro e a vítima continuou apanhando”, explica Deoclécio.

Cheiro do mendigo teria incomodado grupo

De acordo com o delegado, o grupo teria agredido o morador de rua por não gostar do cheiro dele. “Primeiro tacaram pedras de gelo e depois começaram a chutá-lo. O Vítor insurgiu contra aquela conduta e foi falar com eles. Nesse momento começou a briga”, disse o delegado.

Pais da vítima querem punição de culpados para caso não ser esquecido | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
Pais da vítima querem punição de culpados para caso não ser esquecido | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

A confusão aconteceu na Praia da Bica, no Jardim Guanabara, bairro nobre da Ilha. Segundo testemunhas, Vítor continuou apanhando mesmo caído e desacordado. Ele foi transferido nesta segunda-feira do CTI para um quarto do Hospital Santa Maria Madalena. A vítima precisou colocar 63 pinos no rosto. A mãe de Vítor, a assistente social Regina Celi Suarez, está muito abalada. “Minha dor é maior por conta de ele ter tentado defender outro ser humano”.

Dois acusados têm histórico de violência

Dos cinco acusados de espancar Vítor, dois já tinham histórico de violência. Eles têm passagem pela polícia por lesão corporal e ameaça.

Willian se envolveu em confusão em junho de 2010. Ele teria discutido com um estudante, na Rua Carmem Miranda, na Ilha do Governador. “Ele estava em frente a uma lanchonete, chamou um flanelinha e acionou um extintor”, conta Deoclécio. Já Tadeu paga cesta básica por causa de uma agressão ocorrida em novembro. Ele agrediu Daniel da Costa Oliveira Júnior na Praia da Bica, também na Ilha — o mesmo local onde espancou Vítor.