Rio - O delegado Deoclécio de Assis, da 37ª DP (Ilha do Governador), disse nesta quarta-feira que espera ver os cinco acusados de espancar o mendigo e o estudante universitário, na Ilha, atrás das grades por tentativa de homicídio: “Concluirei o inquérito antes do prazo (30 dias) e pedirei a (prisão) preventiva. Ao longo do processo, a acusação pode até ser alterada para lesão corporal, mas estou os indiciando por tentativa de homicídio”, disse o delegado.
Edson Luiz chega à delegacia da Ilha: quinto e último suspeito preso | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Tadeu Assad Farelli Ferreira, 20; William Bonfim Nobre Freitas, 23; Felipe Melo dos Santos, o Geminha, 19; Rafael Zanini Maiolino, 19, e Edson Luiz Júnior, 18, estão presos provisoriamente.
Ontem, Edson se entregou e Felipe foi transferido para a carceragem da Polinter do Grajaú. Os outros três estão no Presídio Ary Franco, em Água Santa. Edson é o terceiro ‘pitboy’ do grupo que já tinha passagem pela polícia por agressão. Além dele, Tadeu e William já responderam a processo semelhante. Tadeu, inclusive, já foi condenado a pagar cestas básicas como pena, conforme O DIA mostrou nesta quarta-feira.
Para concluir o inquérito, Deoclécio precisa apenas do laudo do Instituto Médico Legal feito em Vítor. A vítima já depôs enquanto estava internada e contou que se lembra que Tadeu e William batiam nele quando desmaiou. Nos depoimentos dos acusados, Rafael, Edson e Felipe disseram que apenas Tadeu e William bateram em Vítor. Os dois, entretanto, contaram que Vítor começou a confusão.
Amigo da vítima e testemunha, Kleber Carlos da Silva disse que Vítor foi brutalmente agredido pelos cinco presos.
'Faria tudo de novo'
Seis dias após ser espancado quando tentava impedir que grupo de jovens agredisse um mendigo, o universitário Vítor Suarez Cunha, 21 anos, deixou ontem o Hospital Santa Maria Madalena, na Ilha do Governador. Emocionado, com lágrimas nos olhos, ele afirmou que não se arrependeu da sua atitude e que repetiria o gesto caso fosse necessário. Pouco antes de receber alta, o quinto e último acusado do crime, Edson Luiz Júnior, o Flin, 18, se apresentou na 37ª DP (Ilha).
Vítor fez sinal de positivo na saída do hospital na Ilha do Governador | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
“Não fui nenhum herói. Vi uma pessoa sendo agredida e pedi para eles pararem. Aí aconteceu o que aconteceu. Faria tudo de novo amanhã, faria de novo saindo agora do hospital. Não me arrependo”, afirmou Vítor, ao lado dos pais.
“Foi um dia ótimo para mim. Quero comer hambúrguer, beber refrigerante e entrar na Internet. E também ver televisão, jogar videogame, encontrar com os amigos e voltar à faculdade. Não vejo a hora de minha vida voltar ao normal”, frisou o estudante de Desenho Industrial.
Possível sequela
Mãe dele, a assistente social Regina Fusco Suarez conta que o jovem comemorou ontem ao sentir o Sol pela janela do hospital. Ela afirma que foi um dos dias mais felizes de sua vida. “Há poucos dias eu só chorava, e agora não consigo parar de sorrir”, disse ela, que agradeceu a todos que rezaram pela recuperação do jovem.
Vítor foi agredido no Jardim Guanabara, bairro de classe média alta da Ilha do Governador. Devido à gravidade dos ferimentos, ele passou por uma cirurgia complexa, na qual foram implantados 63 pinos e oito placas de titânio no rosto dele. De acordo com o cirurgião Leonardo Peral, a vítima vai passar por novos exames em dez dias. A hipótese de sequelas no olho direito só poderá ser descartada em dois meses.
“Em 10 dias, vamos verificar se houve alteração nos movimentos do globo ocular. Agora, as funções estão normais”.










