Rio - O soldado da Aeronáutica Yuri Monteiro Ribeiro, amigo dos jovens suspeitos de agredir um mendigo e espancar o estudante Vítor Suarez Cunha, de 21 anos, na Ilha do Governador, Zona Norte, no último dia 2, foi expulso da corporação, informou nesta sexta-feira a Força Aérea Brasileira (FAB).
Yuri usou o Facebook para criticar e desdenhar das prisões dos colegas. “Se estivesse no local da agressão, ele (Vítor) não estaria vivo”, escreveu Yuri. Em depoimento à polícia, contudo, ele mudou o tom e se disse arrependido. “Foi um comportamento antiético. Ele foi repreendido”, disse o delegado Deoclécio de Assis Filho, titular da 37ª (Ilha do Governador).
'Não fui nenhum herói', diz jovem agredido
"Se pudesse, faria tudo de novo. As pessoas têm que ajudar a quem precisa". Estas foram as palavras do estudante de desenho industrial Vítor Suarez Cunha, de 21 anos, ao sair do Hospital Santa Maria Madalena na tarde da última quarta-feira. O rapaz passou por uma cirurgia na qual 63 pinos foram implantados no seu rosto após defender um morador de rua de um espancamento promovido por um grupo de cinco jovens.
"Eu não fui nenhum herói em chegar lá e falar: 'parem com isso'. Não fiz nada disso. Eu só pedi que eles parassem. A postura deles não foi adequada, não foi boa. Faria (amanhã), faria hoje saindo daqui. Foi tudo muito bom (sobre a recuperação), nem acredito que estou falando normal. Hoje é um dia ótimo para mim. Quero agradecer a todo mundo que me deu apoio e rezou pela minha recuperação", comemorou Vítor.
Vítor fez sinal de positivo na saída do hospital na Ilha do Governador | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
De acordo com o cirurgião buco-maxilo-facial Silvério Moraes, que operou a vítima, é preciso esperar cerca de dois meses para uma análise mais precisa sobre possíveis sequelas. O rapaz continua celebrando seu retorno ao cotidiano. "Quero comer hambúrguer, tomar refrigerante e entrar na Internet para ver a situação do meu Facebook. Quero ver televisão, jogar videogame, encontrar meus amigos... quero voltar com minha vida normal", explicou.
Ao ser questionado sobre o que havia tirado como lição do episódio, o jovem disse que não havia aprendido nada e explicou: "Só confirmei o que já sabia. Muita coisa tem que mudar. Hoje aconteceu comigo e toda vez que as pessoas estiverem brigando por aí, se pelo menos um, dois ou três pensar no que aconteceu comigo, vão fazer outras coisas ou passar ensinamentos para os filhos. A vida é assim, aos poucos. Todo mundo tem que fazer um pouco para mudar alguma coisa. Não adianta achar que uma atitude vai mudar o mundo inteiro de uma vez", opinou.
A mãe, Regina Celi Fusco Suarez, falou sobre a felicidade de ver a recuperação de Vítor caminhando tão bem. Regina agradeceu aos médicos, aos policiais e a todos que torceram pelo seu filho. "Todos nós estamos muito felizes. Está tudo como deveria estar e não há nada fora do lugar. Tudo foi melhor do que eu esperava. Há poucos dias, só chorava, e agora não paro de sorrir. Acho difícil ter um dia mais feliz na minha vida", disse.
Reincidentes
O último dia 2 de fevereiro — data em que Vítor e o morador de rua João Araújo Teles, 47, foram espancados — não era uma data qualquer na vida de um dos cinco acusados do crime. Horas antes da sessão de espancamentos, Tadeu Assad Farelli Ferreira, 20, começava a pagarà Justiça por um crime que cometera em novembro de 2010: outra agressão a um jovem que seguia para a escola, no mesmo Jardim Guanabara, bairro de classe média alta na Ilha do Governador.
Tadeu Assad já foi condenado por outra agressão | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
Tadeu não compareceu à nenhuma audiência daquele processo e foi condenado pelo crime de lesão corporal leve ao pagamento de R$ 700 em cestas básicas, divididos em três parcelas. O despacho judicial foi divulgado justamente no dia 2 de fevereiro, após poucas horas das novas cenas de violência que protagonizou.
O adolescente agredido em 2010 conta que caminhava para a escola pela Rua Francisco Alves, a menos de 100 metros da agressão do dia 2, quando recebeu um soco no rosto. Nesta terça-feira, a vítima, que foi atingida pelas costas, festejou a decisão da Justiça. “A Ilha é um bairro de moradia. Eles acabaram com a paz da gente. Isso tem que ter um fim”. Procurada por O DIA, a advogada de Tadeu, Xaira Ferreira, não quis comentar o caso.
Outro com antecedentes
Do grupo de cinco suspeitos pelos espancamentos a Vítor e João, outro integrante que possui antecedentes é William Bonfim Nobre Freitas, 23. Segundo registro na 37ª DP (Ilha), de junho de 2010, ele e outros dois jovens são investigados por agressão a um menor de idade, na época, também no Jardim Guanabara.
Na ocasião, a vítima foi abordada durante a madrugada e levou três socos, um na testa e dois na nuca. “Só pararam de bater pois um carro começou a subir a ladeira”, relembra. Durante audiência do processo que corre na Justiça, Willian disse que ‘apenas tentou separar a briga’.










