Rio -  A importância para Itaguaí da colônia japonesa — a maior do estado — na economia e a volta de grupo que havia ido tentar a vida no oriente na década de 1980, motivaram a prefeitura a fazer censo para levantar quantos descendentes vivem na cidade. A pesquisa começa até dezembro e será feita em um ano.

O anúncio do censo levou um grupo de 20 descendentes, liderados por Cláudio Kazuo Hayassaka, 41 anos, que morou no Japão por 16 anos a reativar a associação japonesa de Itaguaí. O objetivo é a valorização da cultura nipônica, com projetos para dar mais visibilidade à colônia.

Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia

Os primeiros japoneses chegaram a Itaguaí em 1939 e há 20 anos havia 470 famílias. Segundo Hayassaka, hoje o número caiu à metade, e a associação está praticamente parada. “A valorização se dará com incentivos à agricultura e cursos voltados para a cultura japonesa, como bonsai. Além da retomada do Bunka Clube, com tradição no beisebol”, diz ele.

A própria família de Hayassaka está se remontando. O tio Gilberto Hayassaka, 56, voltou este ano. “O Brasil tem melhorado. Estou ajudando meu sobrinho”, conta ele, que trouxe a mulher, a filipina Marieta Hayassaka, 40, e o filho Ishiro, de 1 ano e nove meses.

Aiko Hayassaka, 85, mãe de Gilberto e avó de Cláudio, acredita que a volta da associação vai valorizar a cultura dos imigrantes, que vieram para Itaguaí na primeira metade do século passado fugindo da guerra. A viagem dela, de navio, durou 42 dias.

Em Itaguaí, Aiko conheceu o marido e teve seis filhos. Todos foram para o Japão tentar a sorte. Quatro já voltaram. Os netos também estão voltando. “Agora, meu neto quer retomar a associação para valorizar a cultura do meu povo” aprova ela.