Rio -  Com características típicas de um município pequeno, Volta Redonda, também conhecida como a Cidade do Aço, tem infraestrutura e desafios de cidade grande. Antônio Francisco Neto (PMDB), o Neto, é natural do município e está à frente da prefeitura pelo terceiro mandato — tendo ocupado o cargo entre 1997 e 2004 e, depois, desde 2009. Em entrevista ao ‘Painel O Dia no Estado’, Neto conta que a melhoria da qualidade de vida da população é o ponto fundamental do seu programa de governo, afirma que conhece a cidade do Sul Fluminense como ninguém e garante estar pronto para enfrentar a prefeitura pela quarta vez.

O senhor está no seu terceiro mandato e por quase 12 anos cuidou da administração da cidade. Quais foram as principais mudanças em Volta Redonda nos últimos anos?

Quando assumimos, Volta Redonda era uma cidade cinza, mal cuidada. Mas com as obras de infraestrutura e as mudanças que realizamos, demos outra cara para o município. Hoje, tanto os moradores quanto os turistas sentem a diferença. Mas sem dúvida, para mim, a principal mudança foi na autoestima da população. Uma das primeiras ações do meu mandato foi o lançamento de uma campanha publicitária que tinha o slogan ‘Eu acredito em Volta Redonda. Acredite você também’. Escolhemos rostos familiares como comerciantes e pessoas conhecidas para mostrar que tínhamos orgulho da nossa cidade e isso foi fundamental para o resgate da autoestima do nosso povo. Essa foi nossa primeira grande conquista, pois hoje todos têm orgulho de viver em Volta Redonda.

Foto: Wagner Pinheiro / Agência O Dia
Foto: Wagner Pinheiro / Agência O Dia

Volta Redonda possui a maior malha urbana do interior do Rio de Janeiro. Quais são os principais desafios em relação à infraestrutura da cidade?

Ainda são muitos, mas infinitamente menores do que quando começamos. Tenho orgulho em dizer que hoje a cidade tem a maior parte de suas ruas asfaltadas e 100% dos domicílios com atendimento de água potável. Somos apontados como o melhor município do Rio de Janeiro em questões como pavimentação, iluminação pública, distribuição de água e identificação de ruas. Quando assumi a prefeitura pela primeira vez tínhamos 174 áreas de posse e 45 mil pessoas que moravam de forma irregular. Além do trabalho de regularização dos terrenos, nosso governo urbanizou todas essas áreas e levou água, esgoto, pavimentação, iluminação e praça de esporte para as comunidades. Algumas receberam até postos de saúde, sempre que possível. Isso foi uma grande conquista da nossa gestão. Meu próximo projeto é uma obra de saneamento que vai tratar 100% do esgoto da cidade. Além disso, até o final deste mês, toda população terá acesso gratuito à Internet. As pessoas terão apenas que se cadastrar através do Cartão da Cidadania e instalar a antena em suas casas. Queremos a inclusão digital de toda a população do município. A ideia é oferecer a oportunidade de navegar na Internet sem custo de mensalidade, sem limite de tempo ou bloqueio a sites.

Segundo as estatísticas o combate ao crime na cidade tem dado resultado. Mas muitas delegacias ainda enfrentam problemas como falta de efetivo. O que está sendo feito para reverter essa situação?

Nosso índice de violência diminuiu em 50% em relação a 2009. Isso é um reflexo do trabalho que está sendo feito há anos. A cidade nunca foi tão segura e estamos trabalhando para que esse esforço continue. Um dos investimentos será o Centro Integrado de Segurança, onde iremos colocar, no mesmo local, a Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiro, Guarda Municipal e Defesa Civil. Vários especialistas em segurança analisaram nosso projeto e afirmaram que é o sistema mais moderno que existe. Com isso vamos melhorar a gestão e suprir essa demanda que temos hoje. Mas pensamos nisso há muitos anos e nossa cidade é uma referência quando o assunto é segurança pública. Pra você ter uma ideia, de dentro da minha sala eu tenho controle de todas as câmeras de segurança da cidade. E vamos lançar um projeto que vai unir segurança e economia ainda este mês.

Qual seria esse projeto?

É o ‘Volta Redonda Mais Segura’. Estamos instalando cerca de 400 câmeras com sistema de leitura de placas para rastrear e detectar os carros roubados. No total serão 83 pontos com câmeras, localizados nas entradas e saídas da cidade. Assim vamos cobrir 100% do município. Até o mês de julho metade dos equipamentos já estará colocado e o sistema estará funcionando. Ao mesmo tempo, entramos em contato com as seguradoras para firmar uma parceria para que o seguro do carro fique mais barato. A ideia é simples: com a cidade mais segura, o preço do seguro tem que cair. Mas quero dizer que o monitoramento é só de carros roubados, não iremos monitorar pagamento de IPVA ou multar os carros. O nosso objetivo é unicamente a segurança pública.

O transporte público ainda é precário em muitos municípios do interior do Rio. Muitas pessoas ainda usam o transporte alternativo como principal meio de locomoção. Isso acontece também em Volta Redonda?

Não. Na verdade somos o único município do Rio onde não existe van, Kombis ou qualquer coisa do tipo. Temos duas empresas que fazem o transporte na cidade e mais duas intermunicipais. É claro que ainda precisamos investir mais, mas hoje nosso transporte coletivo é bom. Além disso, até o final do ano nosso aeroporto estará aberto para receber voos nacionais e temos o projeto da nova rodoviária, que vai atender os passageiros para viagens interestaduais e será construído perto da Rodovia Presidente Dutra (Rio-São Paulo).

A cidade foi apontada como uma das possíveis estações do Trem de Alta Velocidade no Brasil (TAV), que ligará São Paulo ao Rio de Janeiro. Ainda existe essa possibilidade?

Tudo indica que sim, e estamos aguardando ansiosamente o resultado da licitação. Nossa equipe de transportes já visitou alguns países para ver como funciona esse tipo de transporte e estamos estudando o melhor lugar para a estação, que pode ficar no bairro Roma II ou às margens da Rodovia dos Metalúrgicos. Mas tudo ainda está sendo estudado. Só sei que estamos preparados para receber a estação e ansiosos pelo resultado.

Recentemente, os professores do município receberam um aumento de salário, mas o que mais foi feito pela educação durante seu mandato?

Durante a minha campanha prometi que nenhum funcionário público teria um salário menor que R$ 1 mil. Mantive minha promessa e é claro que os professores estão incluídos nessa decisão. Hoje, todos os professores recebem, em média, R$ 1.500 de salário. Sei que temos profissionais de alto nível e que ainda precisamos melhorar em muitos pontos, mas estamos no caminho.

Mas em relação aos investimos na área da educação?

Reformamos e investimos em nossas escolas públicas e hoje atendemos mais de 90% de nossa demanda. Somos o único município do estado que tem escolas especiais para autistas e deficientes visuais. E temos mais de 600 crianças com necessidades especiais matriculadas nos colégios regulares. Tudo com orientação de profissionais especializados. Temos ainda uma Universidade de ensino a distancia para mais de cinco mil alunos e tenho como projeto de construção de uma Universidade Pública de Medicina, que é um dos meus grandes sonhos para o município. E com a Firjan vamos construir uma escola técnica para 800 alunos, um projeto de quase R$ 15 milhões, entre obras e equipamentos, e que deve ser inaugurado até o final do ano.

No ano passado, Volta Redonda sofreu com uma epidemia de dengue e teve inclusive casos de dengue hemorrágica. A prefeitura tomou alguma providência para que o surto não se repetisse?

Temos uma equipe de saúde muito competente e procuramos de todas as formas nos antecipar para que a cidade não tivesse o mesmo problema. Fizemos dezenas de campanhas nas ruas, nos rádios e nas escolas, onde as próprias crianças nos ajudavam no trabalho de conscientização. Eu mesmo fui para o serviço de telemarketing para pedir que todos dedicassem pelo menos dez minutos do seu dia no combate à dengue. Nossos agentes fizeram um belíssimo trabalho e junto com a população tivemos um ótimo resultado. Graças a Deus passamos longe de uma nova epidemia.

E os investimentos na área da saúde, quais foram?

Quando nós assumimos, havia uma deficiência muito grande em consulta para especialistas e exames de alto custo. Então apostamos muito na saúde. Usamos nosso Estádio da Cidadania e construímos um complexo de saúde: a policlínica Bernardino de Souza. São 24 consultórios que atendem quase mil pessoas diariamente. Fizemos ainda um Centro de Imagem que atende dez mil pessoas por mês, uma ótica e um Centro de Recuperação de Fisioterapia para pacientes com problemas cardíacos e doenças respiratórias. Para você ter uma ideia, hoje o município consegue marcar uma consulta para especialista e exames mais rápido que qualquer médico particular ou de plano de saúde. Além da saúde básica, temos 60 postos de saúde com equipe de médicos de família e oito consultórios dentários que atendem à população. Nosso Hospital Municipal também é referência e talvez sejamos o único com anestesistas, ortopedista e neurologista de plantão. Nossa Secretaria de Saúde e nossos gestores são muito competentes. Mas um dos meus maiores motivos de orgulho é o atendimento que damos para a terceira idade.

Por que o senhor tem tanto orgulho?

Além do atendimento especial em nossas clinicas, o ‘Melhor Idade’ é um projeto importante e que dá um resultado muito bom. Tenho um carinho especial por ele, pois são mais de 15 mil pessoas que, através desse programa, podem ter aulas de ginástica, hidroginástica, dança, capoeira, caminhada e até hipismo durante todo o ano. E quem frequentar o programa há mais de um ano e tiver menos de 30% de faltas nas atividades ganha de presente uma viagem de fim de semana para outras cidades. Só no ano passado mais de dez mil foram passear em Búzios, por exemplo. Até casamentos já saiu desses encontros. É muito bacana.

Mas todos esses passeios são custeados pela prefeitura?

Sim, todo o custo é do município. Mas os benefícios desse projeto são muito maiores que qualquer custo. Eles ganham muito em qualidade de vida e isso não tem preço, mas nossa pesquisa mostra que o resultado vai muito além. A expectativa de vida aumentou em dez anos, a procura por consultas em clínicas e hospitais diminuiu em 84% e a autoestima aumentou para 98%. Até o relacionamento com os familiares melhorou e isso não tem preço. Vale qualquer investimento.

A Secretaria de Meio Ambiente de Volta Redonda afirma que a cidade não registrou nenhum acidente ambiental em 2012. Um dos motivos seria o monitoramento e a fiscalização constante realizada no município. No entanto, muitos ambientalistas afirmam que a fiscalização atua somente sobre pequenas e médias empresas e que os resíduos jogados no Rio Paraíba do Sul ainda são uma realidade. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Olha, a fiscalização é constante e não só para as pequenas e médias empresas. Estamos investindo muito em nossa secretaria, em nossos profissionais e em equipamentos que nos ajudem nesse desafio. É um trabalho constante, mas temos profissionais rígidos e qualificados, além de uma Defesa Civil bem equipada e com profissionais de alto nível que ajudam muito no processo de fiscalização. Ainda falta muito para que fique tudo perfeito, mas é indiscutível que avançamos muito nessa sentido.

Há anos a população de Volta Redonda sofre durante as temporadas de chuva. O que a prefeitura tem feito para sanar esse problema?

Esse é outro projeto que tenho muito orgulho e hoje, graças a Deus, temos tido poucos problemas com a chuva. Tudo por causa das obras de barragens e contenção de encostas. As obras são realizadas pelo Furban — Fundo Comunitário de Volta Redonda — e já foram construídas mais de 300 barragens. Fizemos um levantamento técnico e demográfico dos terrenos do município e identificamos as principais áreas de riscos dos bairros. Sabemos que lutar contra a natureza é muito difícil, mas estamos tentando evitar problemas.

Recentemente, depois de muita espera, foi assinado o acordo que vai permitir o fim da ação judicial que impedia a conclusão da obra da Rodovia do Contorno. Por que tanta demora?

Esse projeto foi o maior desperdício de dinheiro público da história de Volta Redonda por diversos motivos, mas depois de quase 20 anos o trabalho está prestes a ser concluído. Essa era uma das obras mais reivindicadas pela nossa população e não poderia ser descartada. Por isso o investimento dos governos federal e estadual, que retomaram o projeto. Hoje as obras estão a todo vapor e chegando a sua fase final. A Rodovia do Contorno vai ser o maior presente de aniversário que Volta Redonda já recebeu. Marquei a inauguração para o dia 17 de julho e espero dar isso de presente para a população antes do fim do meu mandato. Mas o mais importante não será a cerimônia da inauguração, e sim a conclusão da obra. Concluir essa obra vai resgatar a credibilidade do município depois de tanto dinheiro público ter sido desperdiçado nesse projeto.

O senhor é candidato à reeleição. Quais seriam os seus maiores desafios caso consiga se eleger pela quarta vez?

Olha, quero ver um prefeito que conheça tão bem sua cidade como eu conheço Volta Redonda. O que posso dizer é que vou continuar trabalhando para dar o melhor para toda população. Hoje temos uma boa saúde pública, uma educação de qualidade e isso é motivo de orgulho. Agora temos novos desafios pela frente como a construção do novo Hospital Regional, do aeroporto e da Faculdade Pública de Medicina. Quero ainda fazer uma obra de infraestrutura que vai tratar 100% do esgoto do município e continuar investindo na cidade para atrair novos investidores e novas empresas. Sei que estou no caminho certo.