Rio - A obra onde um operário teve a cabeça perfurada por vergalhão pode ser multada e embargada pelo Ministério do Trabalho. De acordo com o órgão, a construção foi notificada mês passado por falta de equipamentos de segurança.Eduardo Leite da Silva Duarte, 24 anos, continua internado com quadro clínico estável no CTI do Hospital Miguel Couto, na Gávea.
“Se a culpa da construtora for constatada, ela será multada e terá que interromper a obra. A empresa também poderá ter que devolver aos cofres públicos o que foi gasto na recuperação do paciente”, explica Leonardo Loppi, auditor fiscal do Ministério do Trabalho.
Obra na Rua Muniz Barreto 798, quase esquina com a Rua São Clemente, estava parada nesta sexta-feira à tarde | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Primeira notificação
Loppi explica que a construção será embargada caso apresente perigo para os operários. Ele conta que a obra foi notificada em julho por falta de equipamentos de segurança: “Os cintos de segurança dos trabalhadores não estavam presos por cabos de aço. Eles só passaram a utilizá-los após a notificação”.
Eduardo teve capacete perfurado quarta-feira por vergalhão, que despencou ao ser içado para o 5º andar da obra.
A peça, de 30kg e 2m de comprimento, entrou em sua cabeça e saiu entre os olhos. Segundo os médicos, três centímetros separaram a peça de área do cérebro que poderia deixá-lo tetraplégico.
A construtora PDG informa que o operário utilizava todos os equipamentos de proteção individual. A empresa reitera que a suspensão dos vergalhões foi feita com os equipamentos adequados e que a obra segue os padrões de segurança, contando com equipe de engenheiros de segurança.
Falha ao içar estruturas metálicas causou o acidente
O vergalhão que feriu Eduardo não estava bem amarrado ao ser içado para o quinto andar, aponta o Crea-RJ, que vistoriou ontem o canteiro de obras.
O órgão também ressalta que não poderia haver ninguém sob o local onde estruturas metálicas estavam sendo suspensas.
“Não foi só falha humana. O sistema de amarração dos vergalhões não era seguro e houve imprudência do trabalhador que ficou embaixo da carga”, explica Jaques Sherique, vice-presidente do Crea.
Policiais da 10ª DP (Botafogo) estiveram no canteiro para fazer perícia e ouvir testemunhas. O vergalhão e a corda usada no içamento passarão por análise.
Médicos mostram tomografias computadorizadas de Eduardo | Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Eduardo vai à igreja falardo ‘milagre’
“Vamos ter que comemorar seu aniversário duas vezes por ano a partir de agora”. A dona de casa Lilian Regina da Silva Costa, 23 anos, não conteve as lágrimas ao reencontrar nesta sexta-feira seu marido no hospital.
Apesar de ser atingido na cabeça por um impacto de 300 kg, Eduardo não deve apresentar qualquer sequela.
“Estava muito emocionada. Só consegui acreditar que ele está bem depois dessa visita. Nem parece que foi operado para retirar um vergalhão da cabeça. Ele perguntou pelas crianças e pela família”, conta Lilian, casada há seis anos com o operário.
Na visita, Eduardo falou à esposa que não vê a hora de abraçar seus dois filhos e agradecer a Deus por estar vivo. “A primeira coisa que ele quer fazer é ir à igreja e dar seu testemunho. Ele só está aqui por vontade divina”, comenta Lilian.






