Rio - A comissão de frente, ou melhor, de trabalho, que ampliou o Sambódromo, já tirou nota 10 neste Carnaval. As obras de demolição dos antigos prédio da Brahma e setor 2, dando lugar a quatro novos blocos com arquibancadas, camarotes e frisas, ficaram prontas em menos de nove meses e serão entregues hoje. Com 680 componentes, o grupo especial de pedreiros, pintores, marceneiros, eletricistas, engenheiros e técnicos, de 20 diferentes empreiteiras, se revezaram, 24 horas, em turnos.
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
A convite de O DIA, operários de uma das empresas, a Fábio Bruno Construções, colocaram adereços e, já no clima da Festa de Momo, falaram sobre a emoção de terem ajudado a revitalizar o palco do maior espetáculo do Planeta em tempo recorde.
“Sinceramente, acho que quanto à importância da nossa contribuição nessa obra, a ficha só vai cair quando a gente vir a multidão ocupando os novos setores e prestigiando suas escolas”, afirma o engenheiro de minas Manoel Jorge Dias, o Manoelzinho, 40 anos, responsável pela implosão de 60 mil toneladas de concreto.
Considerado um dos maiores especialistas em implosões do mundo, Manoelzinho faz parte da ‘ala’ dos 80% de funcionários que vieram de outros estados para tocar o projeto. Gostou tanto da Cidade Maravilhosa que resolveu ficar por aqui. “Sou paulista, mas me mudei de mala e cuia para o Rio”, ressalta o engenheiro, que pretende assistir aos desfiles para torcer pela Estação Primeira de Mangueira. “Me apaixonei pela história dessa escola”, justifica.
Quem são eles?
MARIVALDO DA SILVA, 42 - O marteleteiro da Zona Oeste conta que nunca tinha pisado na Sapucaí. O ‘folião de primeira viagem’ diz estar orgulhoso de ter participado das novas obras.
BRUNO CAMPOS DE JESUS, 31 - Morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o técnico em segurança revelou que sonha em voltar a integrar a Grande Rio: “Aquela bateria é maravilhosa!”
ANGELO ACAUÃ, 41 - O engenheiro e “jornalista nas horas vagas”, se diz um “rato da Sapucaí”. Mangueirense, ele garante que estará na torcida novamente este ano.
MANOEL JORGE DIAS, 40 - Tido como um dos maiores especialistas do mundo em implosões, o paulista Manoelzinho conta que se apaixonou pelo Rio e pela Mangueira.
ANDRÉ TRINDADE, 34 - Ex-integrante da Mocidade de Padre Miguel, o auxiliar administrativo revela que quer curtir o fruto de seu trabalho em casa, pela TV, com a família.
Para quem participou da reforma da Sapucaí, orgulho e sonho realizado
Morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o técnico em segurança Bruno Campos de Jesus, 31 anos, sonha em voltar a tocar bumbo na Grande Rio. “Há anos não vinha ao Sambódromo. Trabalhar aqui, porém, despertou novamente a vontade de integrar aquela bateria maravilhosa”, confessa Bruno, ao lado do auxiliar André Luiz Trindade, 34, que já desfilou pela Mocidade de Padre Miguel.
“Este ano, prefiro ver o fruto do nosso trabalho pela TV, tomando uma cervejinha com a família”, diz André. Já o marteleteiro Marivaldo da Silva, 42, de Bangu, na Zona Oeste, conta que nunca havia pisado na Sapucaí antes.
“É um sonho. Estou orgulhoso de ter participado, mesmo indiretamente, da montagem dessa festa magnífica”, ressaltou. O engenheiro Ângelo Acauã, 41, por sua vez, diz que não perde as apresentações da Mangueira há anos. “Faço questão de falar para todo mundo que tem dedo meu nessa nova fase do Sambódromo”, brinca.
Obras tiraram do papel o traçado original do arquiteto Oscar Niemeyer
As obras, que custaram R$ 30 milhões, foram financiadas pela Ambev, dona da cervejaria Brahma, que foi demolida para a reforma, e tiraram do papel o traçado original do arquiteto Oscar Niemeyer. O resultado será inaugurado pelo prefeito Eduardo Paes hoje. O número de lugares na arquibancada aumentou de 60 mil para 72.500. Também são 729 frisas a mais (agora, 1.823). Os camarotes foram reduzidos de 425 para 356.
“O novo Sambódromo, além de proporcionar mais emoção ao público, já que haverá equilíbrio dos dois lados, representa avanço para as Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016, pois é o segundo equipamento pronto para provas de maratona e tiro com arcos”, conta Paes.
Às 16h30 será dada a largada à prova ‘Corre aí na Sapucaí’. O medalhista Vanderlei Cordeiro de Lima participará do circuito de 5,5 km. Às 19h30, baianas lavarão a pista. Em seguida, a Beija-Flor entra na Sapucaí para encerrar os ensaios técnicos, em meio a testes de luz e novo sistema de som. RioUrbe fez as obras de recuperação estrutural e pintura dos 13 setores do Sambódromo, arquibancadas, pilares e banheiros.









