Rio -  Brigas de rua, acidente de trânsito, reclamações de barulho, abordagem de suspeitos, socorro ao hospital. Registros que antes demandavam mais tempo e até deslocamento à delegacia poderão ser feitos dentro de carros da Polícia Militar em programa instalado no computador de bordo. A novidade começa até o fim do ano e faz parte da estratégia da Segurança Pública do Rio para a Olimpíada 2016. Os envolvidos poderão sair com o número da ocorrência gerado no veículo.

“O Talão de Registro de Ocorrências já é feito pelo policial. O diferente é que será na viatura, o que facilitará para o cidadão, que vai levar o documento na hora”, conta a subsecretária de Educação, Valorização e Prevenção da Secretaria de Segurança Pública do Rio, Juliana Barroso.

Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia
Ao todo, 40 homens do Batalhão de Choque da PM treinaram na semana passada para desfazer brigas em cinco segundos usando armas menos letais | Foto: Fábio Gonçalves / Agência O Dia

Treinamentos

Os investimentos para ‘blindar’ a cidade já começaram. Semana passada, 40 homens do Batalhão de Choque aprenderam a desfazer brigas em 5 segundos usando armas menos letais. Há cerca de dois meses, policiais da Argentina à paisana circularam entre os torcedores do Boca Júnior, no Engenhão, no jogo contra o Fluminense.

Como não podem atuar no Brasil, ajudaram a identificar vândalos e agressores vindos do país vizinho. Uma faixa foi apreendida com a torcida do Boca, pois havia sido roubada de rivais argentinos e era exibida para TVs de lá como provocação.

A meta é ampliar parcerias, afinal um dos focos das polícias do Rio serão os ‘hooligans’. Na Copa de 2006, na Alemanha, esses torcedores violentos foram incluídos em banco de dados e seu acesso aos estádios, proibido. Está em estudo modelo semelhante para ser adotado aqui em 2014.

A promessa da Secretaria de Segurança é que, um ano antes dos Jogos Olímpicos, 12.600 policiais civis e militares — 22% do contingente atual — formem tropa de choque com nível de capacitação que permita reagir a situações extremas, como ataque terrorista com armas biológicas (feitas com vírus e bactérias) e envenenamento de reservatório de água.

Alguns cursos são em parceria com Alemanha, Espanha e Estados Unidos. Os americanos ensinaram como identificar fraudes em passaportes. “Uma das técnicas é conhecer os pontos do rosto que não se modificam mesmo com cirurgia plástica”, conta Juliana.

Atuação com hotéis contra turismo sexual

Uma das preocupações da Secretaria de Segurança Pública é o turismo sexual durante as competições da Copa e das Olimpíadas. Não por acaso um dos treinamentos dos policiais que estão sendo preparados para atuar nas grandes competições envolve a parceria com cinco grandes redes de hotéis do Rio.

“Algumas pessoas não virão apenas por causa das competições. A gente tem conhecimento disso. Por isso, a importância de ter informações de hóspedes que se comportam de forma suspeita”, disse a subsecretária de Educação, Valorização e Prevenção da Secretaria de Segurança, Juliana Barroso.

Uma das barreiras da atuação dos policiais ainda é o idioma. Cursos de inglês estão previstos, mas, para facilitar o trabalho nas ruas, uma ideia estudada é copiar o modelo de cartilhas que foram usadas por policiais na África do Sul. No material, aparecem em desenhos situações de roubo, furto, agressão. O turista olha e aponta qual foi o crime de que foi vítima.

Eduardo Paes: 'Quero mostrar que o Rio é sensacional'

Com as Olimpíadas, haverá investimento maior na prática esportiva na cidade?

O nosso papel é de universalizar a prática esportiva. Já inauguramos duas vilas olímpicas e vamos inaugurar outras duas (Guaratiba e Honório Gurgel). Estamos construindo uma na Ilha. Fomos para o total de 17 vilas. Mas o mais interessante não é prática esportiva, mas os conceitos do espírito olímpico, que tem a ver com colaboração, solidariedade, participação, integração. A gente precisa levar esse clima para as escolas municipais. E o primeiro passo para se criar esse clima é a chegada da bandeira (olímpica), a criação da Guarda da Bandeira e o concurso das crianças.

Os atletas do Time Rio não ganharam medalhas.

Não me arrependo de ter investido neles. É uma forma de a gente trabalhar nossos atletas de alto rendimento. Eu tenho muito orgulho desses atletas. E faz parte do esporte ganhar e perder.

Londres percebeu queda no número de turistas. O senhor acha que isso vai se repetir aqui?

O período da Olimpíada é menos relevante. Relevantes são o antes e o depois. Ninguém aqui está preocupado em 15 dias de festa só. O que nos estimula é ter uma imagem da cidade construída sob o ponto de vista turístico. Isso é um dos legados não tangíveis: mostrar que o Rio é um lugar moderno, sensacional para se visitar, que tem um povo acolhedor... É uma imagem que se constrói. Afinal, a imagem que o Rio construiu durante décadas foi muito ruim.