Rio -  Duas irmãs acusadas de fazer parte da quadrilha do Pai Bruno de Pombagira foram presas na manhã deste domingo. Viviane Duarte de Souza, de 37 anos, e Luciana Duarte de Souza Reis, de 42 anos, foram detidas em suas casas, em Nilópolis e Queimados, na Baixada Fluminense.

Luciana foi presa na casa da sogra, também em Queimados. De acordo com a delegada Flávia Monteiro, titular da 14ª DP, para onde elas foram encaminhadas, o marido havia informado que Luciana não estava em casa desde a prisão de Pai Bruno. Pressionado, ele contou que ela estava vivendo com sua mãe.

Elas trabalhavam como mães-de-santo e, no esquema montado por Pai Bruno, atendiam os telefonemas de clientes, davam o valor do trabalho e, em seguida, retornavam para as vítimas informando que o dinheiro não era suficiente.

As irmãs Luciana (e) e Viviane, presas na Baixada Fluminense | Foto: Guilherme Santos / Agência O Dia
As irmãs Luciana e Viviane (D) foram presas na Baixada Fluminense neste domingo | Foto: Guilherme Santos / Agência O Dia

Quando os clientes negavam o aumento da quantia, elas faziam ameaças como "Pai Bruno sabe de tudo" e "O diabo vai matar a sua família". A delegada Flávia Monteiro afirmou ainda que o bando tinha funções determinadas por Edmar. Ela pediu a prisão preventiva das duas à Justiça. As irmãs deverão ser encaminhadas ainda neste domingo ao Presídio Feminino de Bangu.

Falso pai de santo capturado após extorsão

Edmar Santos de Araújo, o Pai Bruno de Pombagira, 23 anos, foi preso no último dia 14, por extorsão e formação de quadrilha. O religioso foi denunciado após fazer ameaças a um cliente que tentava junto ao pai de santo um trabalho espiritual para reatar o romance. Um motoboy acusado de integrar a quadrilha também foi colocado atrás das grades.

Bruno tentou extorquir R$ 1.670 de um gerente de farmácia de 26 anos, morador do Arpoador. O motoboy Alex Alberto de Souza, 26, seria o responsável por buscar o dinheiro ou ceder as contas para o cliente fazer o depósito bancário.

Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia
Pai Bruno de Pombagira foi preso após tentar extorquir R$ 1670 de uma vítima no último dia 14 | Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia

Em depoimento, a vítima contou que, inicialmente, foram cobrados R$ 170 pelo serviço. Na quinta, ele entregou ao motoboy o dinheiro, além de uma fotografia 3x4, dois desodorantes e um par de roupas usadas por ele.

Trinta minutos depois, o cliente recebeu outro telefonema, de uma das duas ‘secretárias’ de Pai Bruno que estão sendo procuradas, pedindo mais R$ 550 para ‘prosseguir com a magia negra’. Alguns minutos depois, a vítima recebeu outra ligação pedindo mais R$ 950.

Ao perceber os questionamentos da vítima, Pai Bruno teria pego o telefone e feito nova ameaça: “Se você não pagar, vou no lugar do motoqueiro e você vai ver o que vai acontecer”. Segundo a delegada, Pai Bruno alegava que ‘o diabo e demônios queriam mais dinheiro para que o trabalho fosse concluído’.

Na terça-feira, a vítima procurou a delegacia. Um agente se passou por cliente e combinou de pagar num posto de gasolina no Arpoador. O motoboy Alex Alberto foi buscar o dinheiro e acabou preso.

Contra o pai de santo existem inquéritos na 76ª DP (Niterói) e na 134ª DP (Campos) por ameaça e extorsão. Edmar foi preso em casa em Nilópolis. Eles foram indiciados por extorsão e formação de quadrilha e podem ficar até 10 anos na prisão.

Denúncias de outras vítimas

Ainda segundo a delegada, desde a prisão de Pai Bruno, 15 pessoas foram até a 14ª DP para denunciar o falso religioso. De acordo com ela, é possível que 50 denúncias estejam registradas em outras delegacias.