Rio -  Sete pessoas foram indiciadas pelo desabamento de três prédios no Centro do Rio, no dia 25 de janeiro. Entre eles está Sérgio Alves, sócio-diretor da empresa TO (Tecnologia Organizacional), responsável por uma obra no nono andar do edifício Liberdade, o maior dos três que vieram abaixo, além do síndico do prédio. O inquérito foi enviado na quinta-feira ao Ministério Público Federal (MPF).

Curiosos observam local do desabamento na Avenida Treze de Maio | Foto: Severino Silva / Agência O Dia
Foto: Severino Silva / Agência O Dia

O delegado federal Fábio Scliar, da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e ao Patrimônio Histórico, disse nesta sexta-feira, em coletiva, que a acareação realizada entre quatro funcionários da TO foi fator determinante para a conclusão do inquérito. "A obra foi extremamente agressiva. Derrubaram cinco paredes de concreto, uma coluna e dois pilares no 9º andar", disse Scliar. Nenhum dos indiciados terá prisão preventiva, completou o delegado.

Os envolvidos responderão pelos crimes de homicídio culposo, quando não há intenção de matar; lesão corporal culposa, crime de desabamento e dano culposo a bem tombado pela União, já que o Theatro Municipal, vizinho aos edifícios, foi danificado. O síndico do prédio ainda será indiciado por falsidade ideológica. Em 2001, quando houve modificações no 9º andar do imóvel, ele levou uma planta falsa à prefeitura. Nessa planta constava o prisma de ventilação, que foi derrubado na década de 50.

Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Foto: Fernando Souza / Agência O Dia

Sigilo telefônico quebrado

Fabio Scliar pediu a quebra do sigilo telefônico das cinco pessoas que continuam desaparecidas desde o desabamento. Ao todo, 17 mortes foram confirmadas. De acordo com ele, a quebra para poder ajudar a descobrir se as vítimas realmente estavam no local da tragédia.

"O sistema vai indicar o raio geográfico onde a pessoa estava naquele momento. Informações de familiares indicam que elas estavam lá, mas nenhum foi identificado pelo DNA das partes de corpos encontrados nos escombros", afirmou.

Tragédia no Centro

Na noite de 25 de janeiro, três prédios desmoronaram na Avenida Treze de Maio, na Cinelândia, matando 22 pessoas. Até hoje, famílias aguardam notícias de cinco vítimas desaparecidas. A causa apontada nas investigações são obras estruturais que estavam sendo feitas no 3º e no 9º andares do Edifício Liberdade pela empresa TO. Funcionários admitiram terem retirados paredes estruturais do prédio de 18 andares, para ampliar a área interna.

A planta original do prédio feita em 1938 previa 15 andares, com recuo. Mas os construtores acrescentaram mais três pavimentos e subsolo. Dez anos depois, os donos do imóvel receberam autorização para fazer outra obra de extensão nos três últimos andares. Segundo especialistas, as intervenções podem ter sobrecarregado a estrutura do prédio.