Rio - A Secretaria Municipal de Saúde confirmou através de boletim divulgado nesta terça-feira que o Rio teve a primeira morte ocasionada por dengue em 2012. A vítima foi um menino de 9 anos, que morreu no mês de fevereiro no Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, Zona Oeste da cidade.
Este é o primeiro caso de morte pela doença desde agosto de 2011. Ainda de acordo com a Secretaria, no mês de fevereiro o número de registros de dengue na capital quase dobrou — foi de 3.499 para 6.565, o que equivale a um aumento de 87,62%.
Sobre o boletim
O relatório desta semana mostra a atualização do número de casos em 2012, até a semana 09 (26/02 a 03/03). O acumulado deste ano é de 9.640 casos de dengue, até 03/03.
O boletim apresenta, ainda, o balanço das visitas de inspeção, que já ultrapassaram um milhão, e as solicitações sobre dengue recebidas pela Central 1746, que atendeu a 92,4% das denúncias recebidas.
Dengue no estado
Durante as nove semanas epidemiológicas de 2012 (de 1º de janeiro a 3 de março) foram notificados 15.146 casos suspeitos de dengue no estado do Rio de Janeiro. Considerando o total de casos graves, o grau de letalidade da dengue está em 3%. Exames realizados em amostras de sangue confirmaram a presença do vírus tipo 1 da dengue em Itaboraí, Mesquita, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro e Valença. Há notificações do tipo 3 no Rio de Janeiro, e a presença do tipo 4 no Rio de Janeiro, Belford Roxo, Mesquita, Nilópolis, Niterói e Nova Iguaçu.
Lembramos que os dados de casos notificados foram compilados pela Secretaria de Estado de Saúde a partir de dados inseridos no sistema pelos municípios de todo o estado até às 14 horas desta terça-feira, dia 6 de março.
Campanha 10 Minutos Contra a Dengue - A campanha foi lançada pela Secretaria de Estado de Saúde como o tom do alerta para evitar o alarme neste verão, sendo uma importante ferramenta de conscientização para a necessidade de todos se engajarem no combate ao foco do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. O objetivo é estimular a população a investir 10 minutos por semana para eliminar possíveis criadouros em suas casas, já que o ambiente doméstico concentra 80% dos focos.
Vírus tipo 4 predomina
Análises feita por amostragem dos tipos de vírus na cidade apontou que o dengue 4 corresponde a 61,2% da circulação. Além disso, 37,3% dos vírus circulantes são do tipo 1 — que só circulou no Rio na década de 1980. O cenário, mais uma vez, aponta para o alto risco de epidemia de dengue nesse verão.
Entre as amostras analisadas até agora, foram identificados 41 casos de dengue tipo 4. Entretanto, de acordo com o superintendente de Vigilância em Saúde da secretaria, Marcio Garcia, o número real é bem maior. “Estamos fazendo de tudo para reduzir as consequências que isso pode ter para a população. Queremos não ter óbitos nessa epidemia”, afirmou Garcia.
Tipo 4 circula também na Baixada
Relatório divulgado no fim de fevereiro pela Secretaria Estadual de Saúde apontou que até 25 de fevereiro foram notificados 11.280 casos de dengue em todo o estado. Até o dia 11 de fevereiro, eram 6.745 pessoas com a doença. Exames em amostras de sangue confirmaram a presença do tipo 4 do vírus também na Baixada — nos municípios de Nova Iguaçu e Mesquita —, além de Rio e Niterói.
Em visita à capital na última semana, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez um alerta. “A cidade é a que mais preocupa o governo federal. As características de clima favorecem o mosquito, além da presença do tipo 4. Poucas pessoas tiveram essa dengue, o que torna a população vulnerável”.
A Fiocruz procurou a Secretaria de Saúde para traçar perfil da atuação do tipo 4 no Rio.


