Rio - A Secretaria de Ambiente e Agronegócios de Seropédica, constatou no último domingo, o vazamento de 100 mil litros de chorume provenientes do Centro de Tratamento de Resíduos (CTR), que podem atingir o Aquífero de Piranema. O CTR foi criado para substituir o Aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, e recebe, além dos resíduos do próprio município, aqueles que vêm das cidades do Rio e de Itaguaí.
O biólogo Mário Moscatelli, disse que desconhecia o problema e acabou surpreendido pelo DIA. Segundo ele, a situação da contaminação do aquífero, se comprovada, é gravíssima. “Onde o chorume bate, nada sobrevive. Pobre da fauna que for contaminada”, alerta. Ele, no entanto, não sabe dizer com precisão quais tipos de dejetos estão contidos no líquido, produzido a partir do lixo. Ele afirma que a água, se contaminada, sofrerá alteração imediata. “A acidez é o primeiro ponto a ser percebido. Mas vai depender do tipo de material depositado na região”.
Em junho de 2012, o prefeito Eduardo Paes festejava o encerramento das atividades do Aterro de Gramacho. Mas, segundo Moscatelli, o poder público já tinha sido avisado que não seria uma boa ideia um centro de tratamento de resíduos próximo ao Aquífero de Piranema. “O perigo de contaminação do aquífero existe não é de hoje. Desde a desativação do lixão de Gramacho, e que logo em seguida criaram o CTR, em Seropédica, as autoridades já tinham sido alertadas. Se o chorume parar em algum rio, o abastecimento de água tem de ser suspenso”, avisa.
Para o estudioso, a possível contaminação do reservatório tem de ser investigada o mais rapidamente possível. “É uma temeridade ter um CTR próximo a um aquífero de água potável. Isso precisa ser revisto”.
A Ciclus Ambiental, que administra o aterro sanitário, disse que o Aquífero de Piranema não foi atingido pelos efluentes e não corre risco de contaminação. A Cedae informou que o acidente não causará impactos para o abastecimento de água do Rio e Região Metropolitana. “O escoamento do chorume não flui para o Rio Guandu ou qualquer outro sistema de captação da companhia”, informou, em nota.
Luciano Santoro, subsecretário de Ambiente de Seropédica, acredita que houve um desastre ambiental. Ele diz ter sido impedido por funcionários da Ciclus, por meia hora, de entrar nas dependências do aterro sanitário. “Ainda não temos a real dimensão do estrago feito pelo vazamento. Mas o aquífero pode estar contaminado porque fizemos uma inspeção e vimos que houve um grande vazamento que poluiu os córregos”, afirmou Santoro.
De acordo com a secretaria, moradores da região informaram que o vazamento teria começado no último sábado, por volta das 19h, após a chuva que caiu no município. Uma possível falta de energia teria desarmado os equipamentos, fazendo transbordar a elevatória que teria despejado os 100 mil litros de chorume nos córregos.
A secretaria informou ter emitido sete notificações e dois autos de constatação para o CTR, que apontaram danos ambientais à região. O prazo de 48 horas dado pelo governo municipal à direção da empresa para explicar o que aconteceu termina na manhã de hoje. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) também foi notificado. “Já comunicamos ao Inea o que pode ser um grande desastre ambiental”, diz o subsecretário.
Em nota, a assessoria da Ciclus Ambiental confirmou o ocorrido e disse ter notificado as autoridades ambientais. A empresa informou que conteve o vazamento e que os dejetos atingiram área do próprio CTR, que é impermeabilizada, além de trecho inical do Canal da Vila, que foi totalmente limpo.
Reportagem de Marlos Bittencourt




