Candidatos a prefeito do Rio apresentam propostas para o transporte

Nos últimos anos, cidade ganhou corredores exclusivos do BRT e o moderno bonde do VLT, no Centro

Por O Dia

Rio - Eles cruzavam boa parte da cidade, moldaram costumes e ocuparam o imaginário de muitos cariocas. Aos poucos, foram desaparecendo, e seus traços praticamente não são mais visíveis — fora um furtivo pedaço de trilho sob o asfalto. Hoje, porém, são a estrela da hora da mobilidade no Rio. Os bondes estão de volta, na moderna sigla VLT, ou Veículo Leve sobre Trilhos, a cereja do bolo da revitalização do Centro e do Porto. Um programão para o fim de semana é saltar na Cinelândia, embarcar nas silenciosas composições, wdescer na Parada dos Museus e curtir o badalado Boulevard Olímpico. Mesmo se fizer sol típico de praia.

VLT é a estrela do remodelado CentroSandro Vox / Agência O Dia

Mobilidade é o tema de hoje da série ‘Rio: passado, presente e futuro’, que desde ontem mostra as transformações por que a cidade passou nesta década e os desafios ainda a enfrentar. E convida os candidatos a prefeito a entrar no debate.

Está na Barra outra novidade nos transportes. Além da festejada expansão do metrô, com a inauguração da Linha 4 — a cargo do governo estadual —, um lote do BRT fez a diferença na Olimpíada. Torcedores saltavam no Jardim Oceânico e embarcavam nos biarticulados rumo ao Parque Olímpico.

O Rio, contudo, tem desafios a vencer. Perde-se muito tempo em engarrafamentos monstruosos, como o do rush da manhã nas linhas Vermelha e Amarela, e no nó permanente do Centro.

Mas mobilidade vai além do ir e vir. Uma boa rede de transporte garante emprego, barateia custos de logística, apoia o comércio e sustenta o lazer. Confira o que pensam os ‘prefeitáveis’ sobre o tema — o tucano Carlos Roberto Osorio não respondeu ao pedido da reportagem.

Marcelo Crivella (PRB)

Marcelo CrivellaMaíra Coelho / Agência O Dia

Darei continuidade a programas de governos anteriores que são bem avaliados. Vamos concluir as obras do BRT Transbrasil e garantir sua operação até o final de 2017. Também vamos elaborar estudo para levar o BRT Transcarioca para o centro da Ilha do Governador até 2020. Vamos exigir das concessionárias que operam o BRT um aumento de 20% da frota até o final de 2018 para reduzir a superlotação. Além disso, vamos aumentar a fiscalização e aplicar multas mais pesadas para garantir o pleno funcionamento do ar-condicionado em toda a frota. 

Marcelo Freixo (Psol)

A luta por uma mobilidade enquanto direito universal deve ser prioridade. É imprescindível retomar o controle público sobre o planejamento das políticas de mobilidade e reorganizar as linhas de ônibus de acordo com a necessidade da população, além de criar mecanismos que apontem para a redução das tarifas e a implementação gradual de linhas gratuitas nos bairros mais pobres. Acima de tudo, precisamos priorizar pedestres e ciclistas, realizando reformas para garantir o aprimoramento da acessibilidade e o aperfeiçoamento da segurança. 

Flávio Bolsonaro (PSC)

Nossas propostas são: modernizar a operação de transportes, para que permita plena integração dos modais; aumentar a frequência de BRTs e BRSs em horários de pico; enfrentar a máfia dos ônibus e combater o alto preço da tarifa; legalizar o transporte alternativo, com combate a qualquer tentativa de cartelização por milícias; reordenar o trânsito, visando à ampliação da capacidade do sistema; e readequar os limites de velocidade nos termos do Código de Trânsito Brasileiro, acabando com a indústria das multas.

Jandira Feghali (PCdoB)

Implementaremos o Passe Livre Social, que prevê gratuidade a estudantes dos três níveis da rede pública, cotistas do Fies, Prouni, beneficiários do Bolsa Família, trabalhadores informais e desempregados. A prefeitura poderia aplicar a medida no primeiro ano de governo, sem aumentar tarifa. Além disso, pretendemos enfrentar empresários de ônibus e fazer auditoria nas planilhas. O pente-fino pretende compreender por que em 20 anos, com inflação acumulada em 400%, o aumento da passagem se deu em 1.000%, sem investimento no setor. 

Pedro Paulo (PMDB)

Graças a muito planejamento e atenção às áreas mais necessitadas, a prefeitura, sob o comando de Eduardo Paes, avançou muito. Uma cidade não combate as desigualdades nem oferece oportunidades iguais sem investimento em mobilidade. Por isso farei com que 57% dos cariocas estejam a 1 km de estações de transporte de alta capacidade nos próximos anos. Criarei 58 km de BRT com a conclusão do Transbrasil até Deodoro e sua expansão até Santa Cruz, além da Transuburbana, que cortará a Zona Norte, aproximando Sulacap do Centro.  

Índio Costa (PSD)

Promover a integração efetiva dos sistemas informatizados e de imagens, visando à disponibilização de informações confiáveis e online; refazer o sistema de sinalização gráfica e semafórica, assim como ampliar os cruzamentos com sinais inteligentes e ondas verdes; readequar corredores expressos e melhorar a integração intermodal, de modo a reduzir o tempo de deslocamento; ampliar a oferta de bicicletários; e retirar os equipamentos eletrônicos de controle de velocidade e de avanço de sinais que não tenham obedecido a critérios técnicos.

Alessandro Molon (REDE)

A atual gestão nada fez para equilibrar a oferta de emprego e moradia pela cidade, e isto tem tudo a ver com mobilidade. Onde há trabalho, não há casa. E onde há casa, não há trabalho. Com isto, o Grande Rio já apresenta o maior tempo médio no deslocamento casa-trabalho do Brasil. Vamos criar novos polos pela cidade, gerando empregos perto de onde moram as pessoas. Isto se traduz em mais oportunidades para todos e mais tempo para aproveitar a família e o lazer, tendo à disposição meios de transporte eficientes e seguros. 

Carlos Osório (PSDB)

A prioridade é garantir a integração física, tarifária e operacional entre os meios de transporte. Vamos estabelecer parcerias com o Estado e a inciativa privada para expansão do metrô. Concluiremos as obras do BRT Transbrasil, expandindo até Santa Cruz, e implantaremos a ligação Campo Grande-Barra do Transoeste. Vamos suspender e rever o programa de racionalização das linhas de ônibus, consultando os usuários. Garantiremos a melhoria do serviço de vans, revendo itinerários para atender a população. Vamos investir em tecnologia para gestão do trânsito e acabar com a indústria de multas.

Carmen Migueles (Partido Novo) 

Esta é uma das áreas que receberam investimentos relevantes nos últimos anos. Contudo, há ainda muitas oportunidades de expansão do metrô e ciclovias, a inclusão do modelo multimodal, com melhor uso do transporte marítimo na Baía de Guanabara, inclusive com a conexão expressa pela água dos aeroportos do Galeão e Santos Dumont, desafogando a Linha Vermelha e os cidadãos dos bairros adjacentes. Não podemos deixar de destacar a importância de revermos os sistemas de concessão de táxi e ônibus do município.


Amanhã: o que mudou na Saúde e o que propõem os ‘prefeitáveis’

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