Rio

Morre dono do Biscoito Globo

Milton Ponce Fernandes, de 78 anos, lutava há seis contra o câncer. Seu corpo será enterrado em Minas Gerais

Dono da fábrica do Biscoito Globo, Milton Ponce Fernandes, morreu aos 78 anos Álbum de família

Rio - O dono da fábrica do Biscoito Globo — o mimo de polvilho que virou a paixão de dez entre dez consumidores —, Milton Ponce Fernandes, de 78 anos, morreu nesta quarta-feira à tarde. Ele será enterrado hoje às 14h, num arraial chamado Abaíba, distrito de Leopoldina, na Zona da Mata de Minas Gerais. Funcionários da fábrica, que fica na Lapa, no Centro do Rio, não abriram as portas do empreendimento nesta quinta-feira. Boa parte deles foi para Minas, prestar as últimas homenagens ao empresário. De acordo com a filha, Paloma Ponce, de 28 anos, Milton lutava há seis anos contra o câncer.

“Estou sem palavras. Eu o amava demais”, comentou Paloma, por telefone. Em entrevista exclusiva ao DIA, em janeiro, quando foi lançado o livro ‘Ó, o Globo! A história de um biscoito’, uma biografia do biscoito, Paloma, que tem um bonequinho da marca tatuado no braço direito, já havia declarado seu amor ao pai e sua trajetória vitoriosa. “É minha vida. Me orgulho da trajetória vitoriosa da marca que, com garra, mantém a mesma qualidade há mais de seis décadas, graças à sociedade familiar”.

Saborosa rosca foi criada em 1953 Arquivo

A autora da obra, Ana Beatriz Manier, amiga da família, também expressou suas condolências nas redes sociais. Ela se referia aos Ponce como “pessoas muito especiais, e com quem aprendeu grandes lições de vida”. Além de Paloma, Milton, que era o sócio mais antigo da marca, deixa ainda três outros filhos. Apenas seu irmão, Marcelo, ajuda na produção. O pai nunca permitiu que Paloma e as irmãs, Kátia e Patrícia, trabalhassem na fábrica.

A história do biscoito que é a cara do Rio

Milton Ponce Fernandes, em praia do Rio na época que chegou à cidade Álbum de família

Os donos da marca vieram da Espanha para Franca, no interior de São Paulo, no final do Século 19, como relata o livro. Além da cobiçada receita crocante, o livro traz várias surpresas. Ao contrário do que a maioria dos fãs imagina, por exemplo, o biscoito Globo nasceu em São Paulo, em 1953. Ano que os irmãos Ponce — Milton, Jaime e João (este último morto há pouco tempo) —, por conta da separação dos pais, saíram de Franca para morar com um primo que tinha uma padaria no bairro Ipiranga, na capital paulistana. Lá, Milton descobre a roda, ou melhor, a famosa rosquinha, que aprendeu a fazer e a vender nas ruas.

De acordo com a biógrafa, dois anos depois, em 1955, Milton e os irmãos foram para o Rio, para vender biscoitos no 36º Congresso Eucarístico Internacional. O sucesso foi tanto que abriram uma fábrica em Botafogo e nunca mais deixaram a capital fluminense. Mais tarde, Francisco Torrão entrou na sociedade. Hoje as fornadas saem da Rua do Senado, no Centro.

A obra mostra como o querido biscoito, vendido nas versões salgado (70%) e doce (30%), se misturou à cultura carioca. E lembra a polêmica crítica feita pelo ‘New York Times’ em 2016, de que o biscoito não tinha gosto, desencadeando uma “defesa de guerra” dos brasileiros, e fazendo aumentar ainda mais sua popularidade, inclusive no exterior.


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