Rio

Vencendo o preconceito para ser pai

Em 40% dos casais que procuram ajuda para ter filhos, o problema de infertilidade está no homem

Rio - Ainda tabu para muitos, a infertilidade masculina atinge 40% dos casais que não conseguem ter filhos sem assistência médica. Especialistas, no entanto, ressaltam que a vergonha ou medo de buscar ajuda nos consultórios é que são as principais barreiras para que esses homens realizem o sonho de ser pai, já que mais de 90% dos casos têm solução.

“Os homens resistem mais que as mulheres, e, muitas vezes, esta demora faz com que uma solução que poderia ser simples acabe se tornando mais complicada”, afirma Paulo Gallo de Sá, vice-presidente da Sociedade de Reprodução Humana e diretor do Vida Centro de Fertilidade. Ele ressalta que o que gera essa dificuldade de buscar ajuda é puro preconceito. “Não tem nenhuma associação com a virilidade e com a libido masculina. Quanto mais a população tomar consciência disso, haverá menos preconceito e estigma por parte do homem sobre a condição infértil.”

Silvia e Alex Brito procuraram auxílio médico e, após tratamento que durou cinco anos, o casal teve a Maria Laura, que já está com 8 anos Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

O sonho de gerar um filho sempre foi presente na vida do casal Alex Brito, 50 anos, militar, e sua esposa Silvia Brito, 40 anos, advogada. Alex conta que fez terapia por 5 anos, o tempo que durou o tratamento para ter sua filha. “Quando percebi a dificuldade, achei que o problema era dela, quando soube que também era meu, não tive dificuldades e busquei ajuda. Isso não significa que não fiquei abalado, quando descobri que tinha oligospermia (diminuição da concentração de espermatozoide). O acompanhamento psicológico oferecido pela clinica foi muito importante.”

Ao contrário do que se pensa, a fertilidade do homem também diminui com a idade. O fato dos homens produzirem espermatozoides durante a vida inteira criou o mito da fertilidade permanente, mas a idade do homem influencia na qualidade dos espermatozoides produzidos e, consequentemente, na fertilidade.

Outros fatores podem afetar a fertilidade como fumo, bebidas alcoólicas, poucas horas de sono, estresse, obesidade, sedentarismo e sessões de radioterapia. “Ainda assim a influência da idade na fertilidade masculina é muito menos intensa do que nas mulheres. A partir dos 35 anos a mulher é afetada de forma muito acentuada. No homem observamos uma discreta interferência entre 35 e 50 anos, se acentuando após os 50 anos e agravando a partir dos 60 anos”, pontua Gallo de Sá.

O custo para tratamentos de fertilização não é baixo. Segundo o especialista, fica em torno de R$ 25 mil em clínicas particulares.

“A questão financeira é importante e temos que estar preparados para todo esse custo. Mas o maior preparo tem que ser com a sua mente. Quando me casei, foi por amor, não me casei com um boi reprodutor. Toda essa dificuldade que tivemos para ter filho foi um fortalecimento do nosso relacionamento”, disse Silvia, ao lado de Alex, e da filha dos dois, Maria Laura, de 8 anos.

Dúvidas

O homem pode ter filhos mesmo em idade avançada?

“O homem produz espermatozoides a vida toda, mas isso não significa que eles não percam qualidade. Quanto mais velho o homem, pior é a capacidade reprodutiva”. 

Infertilidade e impotência sexual são a mesma coisa?

“Infertilidade se caracteriza quando, após um ano de relações frequentes, o casal não engravida. Já a impotência sexual é uma disfunção que pode estar associada à diminuição da libido, disfunção erétil e problemas de ejaculação”.

Exposição a calor intenso nos testículos reduz a fertilidade?

“Sim. Homens que trabalham expostos a calor intenso têm risco aumentado de produzir espermatozoides com alterações que inviabilizam a gravidez. Da mesma forma, se o homem já tiver predisposição a infertilidade, andar de bicicleta 8 horas por dia, pode agravar a situação”.

Obesidade prejudica a fertilidade?

“Sim. Homens obesos produzem um hormônio na gordura chamado estrogênio. O estrogênio interfere nos hormônios produzidos pelo cérebro, diminuindo, nas mulheres, o estímulo de os ovários produzirem óvulos, e, nos homens, de os testículo produzirem espermatozoides. Há relação entre obesidade e baixa qualidade do sêmen”.

Reportagem do estagiário Matheus Jório, sob supervisão de Claudio Souza

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