Rio

Romário ironiza prisão de Garotinho

Ex-governador Anthony Garotinho foi preso enquanto apresentava seu programa diário nesta quarta-feira

Rio - O senador Romário (PSB) ironizou a prisão do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho. Através de sua página do Facebook, o ex-jogador respondeu as críticas do político que disse não imaginar como seria o governo do atleta caso ele fosse eleito.

"Ao saber da prisão do Garotinho hoje, lembrei-me que um dia desses recebi um vídeo onde ele debocha da possibilidade de eu ser governador do Rio. Ele induz que eu não imporia respeito ao passar em revista as tropas. Hoje vai minha resposta a ele: Garotinho, eu posso passar em revista as tropas. Já você, preferiu ser escoltado por elas até a cadeia. Inclusive, eu serei um que mandarei quentinha pra vc na cadeia", escreveu Romário, acompanhado do vídeo em que Garotinho fala sobre essa hipótese. 

Garotinho foi preso nesta quarta-feira enquanto apresentava seu programa diário, na Rádio Tupi, em São Cristóvão, por volta as 10h30. Ele foi levado por policiais federais para Campos dos Goytacazes, onde cumprirá prisão domiciliar.

Garotinho chega em Campos, onde cumprirá prisão domiciliar Folha da Manhã

A deputada Clarissa Garotinho desafabou no Facebook sobre a prisão do pai. Em um texto na rede social, Clarissa disse que 'a história não permitirá que Garotinho seja confundido com ladrões'. 

Confira o posto na íntegra

"Não há no Brasil uma voz que tenha denunciado tantos corruptos de alto escalão como o Garotinho. Em denúncia à Procuradoria Geral da República, ele apresentou denúncia contra mais de 150 políticos, agentes públicos, empresas e juízes que roubaram o Brasil e sobretudo o Rio de Janeiro.

Durante muitos anos foi uma voz pregando no deserto, mas o tempo está mostrando quem tinha razão. Garotinho foi o primeiro a denunciar Sergio Cabral por diversos crimes de corrupção, enriquecimento ilícito e desvio de dinheiro público. Hoje ele está preso e o Brasil se espanta com tamanha roubalheira que veio à tona!
Garotinho denunciou Sergio Cortes, ex secretário de saúde de Cabral, por propina em

OSS e superfaturamento nos contratos da saúde. Hoje, ele também está preso e a saúde do nosso Rio está em estado terminal. Garotinho denunciou Wilson Carlos, ex-secretário de governo de Cabral, por recebimento de propina em contas no exterior. Ele também está preso!

Garotinho denunciou Arthur Cesar Soares, o Rei Arthur, que comprou as Olimpíadas, era o detentor dos maiores contratos no Governo Cabral. Ele está foragido da polícia.
Garotinho denunciou José Carlos Bezerra, operador de propinas da Gangue dos Guardanapos. Também faz companhia a Cabral no presídio.

Garotinho denunciou Ary Costa Filho, considerado o "um dos homens da mala" de Cabral. Está preso também.  Garotinho denunciou o empresário Marco Antonio de Luca, aquele que aparece com guardanapo na cabeça ao lado de Cabral. Preso também!

Garotinho denunciou Hudson Braga, ex secretário de obras de Cabral e Pezão, por obras superfaturadas e desvio de dinheiro público nas obras do Maracanã e Da Região Serrana. Também está atrás das grades.

Garotinho denunciou Carlos Emanuel de Souza (conhecido como Avestruz), sócio numa empresa de fachada de Cabral (SCF Publicidade) que era utilizada para receber propina. Preso também!

Poderia ficar aqui citando mais uma dezena de autoridades denunciadas pelo Garotinho que já foram presas ou que ainda serão!  Agora, movido por vingança, um promotor de Campos, que já foi denunciado há mais de 2 anos pelo Garotinho ao Ministério Público Estadual, se juntou a setores do judiciário em Campos e no Rio de Janeiro para culminar numa sentença de prisão domiciliar contra o Garotinho "por suposto crime eleitoral na distribuição do programa Cheque Cidadão em Campos".

Um "crime" onde ele não era candidato a nada, nem a Rosinha, e o candidato apoiado por eles perdeu a eleição.  Curioso é que a sentença foi dada logo após a audiência de conciliação que aconteceu ontem entre Garotinho e o ex-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Zveiter.

Garotinho não aceitou acordo, e ainda disse que irá arrolar testemunhas e apresentar documentos com provas contra Zveiter, sem duvida nenhuma o mais poderoso de todos que ele já denunciou até agora!

Na decisão, Garotinho fica proibido de fazer o programa de rádio, dar entrevistas e se defender. O que o juiz que deu a sentença tanto teme que ele fale? Mas nós podemos falar por ele.

Temos Fé que a verdade será revelada! A história não permitirá que ele seja confundido com os ladrões do nosso Estado como querem nossos adversários.

Não calarão a voz do Garotinho!!!
Estamos com você, Pai!"

Histórico

No dia 11 de novembro do ano passado, Garotinho já havia sido preso suspeito de envolvimento em um esquema de compra de votos. Segundo a polícia, uma associação criminosa foi montada para fraudar as últimas eleições no município de Campos, em que foi eleita a ex-governadora Rosinha Matheus.

À época, ele foi levado para a superintendência da Polícia Federal no Rio, na Praça Mauá. O primeiro mandado de prisão preventiva foi expedido pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, na Operação Chequinho da Polícia Federal, que investiga o uso eleitoral do programa "Cheque Cidadão".

Treze dias após a prisão, o ex-governador foi solto. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revogou a decisão e impôs uma fiança de R$ 88 mil para que ele ficasse em prisão domiciliar. 

Em junho, a Justiça Eleitoral do Rio negou o pedido de prisão preventiva do ex-governador do Rio. O pedido feito pelo Ministério Público Estadual de Campos dos Goytacazes que alegava que Garotinho estava ameaçando uma testemunha do caso que investiga o uso do programa assistencial Cheque Cidadão para fraudar a eleição municipal do município. 

A suposta ameaça foi relatada pela radialista Elizabeth Gonçalves em depoimento à polícia em maio. Outra acusação feita pelo promotor é de que Garotinho estivesse usando seu blog para atacar testemunhas ainda não ouvidas no processo. 

Elizabeth, que trabalhou na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos, foi presa em outubro de 2016 acusada de participar de um esquema de compra de votos por meio do programa assistencial. Em depoimentos, ela informou como o suposto esquema funcionava. Em 8 de maio passado, ela procurou a Polícia Federal para denunciar as ameaças. Elizabeth diz que está sendo perseguida desde que admitiu sua participação e contou detalhes sobre a compra de votos.

Em nota, a defesa de Garotinho repudiou "os motivos apresentados para a prisão do ex-governador e entende que a decisão de mantê-lo preso em casa, em Campos, tem a intenção de privá-lo de seu trabalho na Rádio Tupi e em seus canais digitais e, com isso, evitar que ele continue denunciando políticos criminosos importantes, alguns deles que já foram até presos".

A defesa negou ainda as acusações contra ele e informou "que ele nunca nem foi acusado de roubo ou corrupção. O processo fala de suspeitas infundadas de compra de votos, o que por si só não justifica prisão".

"A prisão domiciliar, além de não ter base legal, causa danos à sua família já que o impede de exercer sua profissão de radialista e sustentar sua família", completou a defesa, acrescentando que o ex-governador irá recorrer da decisão.

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