Rio

Fotos com 157 refletem fama e vitória na opinião de professora

Bandido mais procurado do Rio foi preso nesta quarta-feira na Favela do Arará, na Zona Norte do Rio

Rio - A professora de jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing, Lucia Santa Cruz, disse que há duas leituras possíveis para o fato dos policiais terem tirado fotos com Rogério 157. Uma delas é mostrar vitória. Já a outra é relacionada com a fama. "Em um primeiro momento o policial pode ser comparado como um caçador em um safári e o criminoso é a caça. Depois, há a foto de registro, como quem diz: isto é um troféu. Mas, a foto é tirada em forma de selfie, com o agente aparecendo para ter uma outra leitura: realmente aconteceu e eu participei", disse.

Rogério 157 chefiava o tráfico de drogas na Rocinha Severino Silva / Agência O Dia

Apesar disso, no momento em que os policias aparecem sorrindo e com rostos colados ao de Rogério, a foto vai além da confirmação. "Perde o esvaziamento do acontecimento. Não é a prisão em si que importa mais. O Rogério passa a ser visto como um famoso, há o reconhecimento de que ele é uma celebridade e o desejo de aparecer junto faz com que a pessoa assuma esse ar de celebridade", analisou.

Já para o especialista em Segurança Pública Vinícius Cavalcante, a prisão de Rogério 157 não vai causar mudanças na estrutura da criminalidade. O maior impacto seria na melhora da autoestima do policial. "É uma prisão significativa pelo simbolismo dela. Em um momento em que as forças de segurança sofrem com falta de recursos, é uma prisão importante. Mas o crime vai se rearrumar e a facção a qual ele pertence, o Comando Vermelho, vai continuar a expandir territórios", analisou. Segundo ele, o CV é a facção dominante no Rio e vai ficar mais forte após a subordinação das UPPs aos batalhões. "O CV atua na maioria das áreas com UPP. Nesse contexto, é uma vitória das forças de segurança frente ao crime", disse.

O especialista em Segurança e presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina, José Ricardo Bandeira, destacou a necessidade de ocupação da Rocinha, para impedir explosão de disputa pelo controle do tráfico de drogas na favela travado entre os 'seguidores' do traficante Nem e os de Rogério 157. Ontem, moradores da Rocinha afirmaram que tiros foram disparados após a prisão.

Rogério 157 preso

Rogério 157 foi preso mais magro e com barba mais definida do que aparecia na foto do cartaz que oferecia recompensa por sua captura Divulgação

Uma operação integrada que mobilizou cerca de 3 mil homens das polícias Civil, Militar e Federal acabou com a prisão do traficante mais procurado do estado, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, na favela do Arará, em Benfica. O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, quer a transferência do criminoso para um presídio federal. No entanto, alguns delegados cogitam realizar uma espécie de colaboração premiada em troca de mantê-lo no Rio. "Quero cumprimentar e parabenizar a todos. Foi uma coalizão do bem contra o mal", afirmou Sá.

Apesar do discurso de lados opostos, vários policiais civis fizeram fila para tirar fotos com o criminoso algemado. Em um dos registros, tanto Rogério quanto uma policial aparecem sorrindo. Segundo o delegado Gabriel Ferrando, titular da delegacia de Copacabana, que realizou a prisão pessoalmente, Rogério foi localizado ao correr para dentro de uma residência. Na casa, ele se escondeu debaixo de um cobertor e disse se chamava Marcelo Cruz. Após uma série de perguntas sem respostas, os agentes desconfiaram da sua semelhança com o traficante que, em agosto, aterrorizou a favela da Rocinha. Segundo as investigações, Rogério rompeu a parceria com Francisco Bonfim Lopes, o Nem, traficante que dominava a comunidade mesmo preso em penitenciária federal. Com o rompimento, Nem teria ordenado a 'retomada' do tráfico e seu grupo iniciou a guerra para expulsar o bando de Rogério, mal visto por cobrar taxas da população.

Na delegacia, além de não se recusar a tirar fotografias, Rogério respondeu a alguns questionamentos. O traficante afirmou que "recebeu inúmeras ligações de líderes do Comando Vermelho e, por isso, resolveu mudar de lado (Nem é da facção rival ADA)". Ele não quis dizer como fugiu da Rocinha, mas afirmou que não foi de moto e nem teve a ajuda do amigo DJ (como a polícia suspeitou). Após a fuga, uma revelação: Rogério afirmou que voltou inúmeras vezes à Rocinha, mesmo com o cerco policial de mais de 700 homens reforçando a comunidade. Além disso, disse que não saiu do Rio e que se escondeu em sete favelas. Esta teria sido a primeira vez em que ele foi ao Arará.

Como O DIA noticiou com exclusividade, em outubro, 157 tentava mudar sua aparência com cirurgias, além de ter emagrecido. "Sabíamos que ele estava naquela região. Ele estava tentando apagar traços de características, como tatuagem, cicatrizes", disse Ferrando. Ainda segundo o delegado, ele chegou a insinuar uma tentativa de suborno. "Ele não chegou a oferecer dinheiro, mas disse que nossa vida estaria resolvida, caso ele fosse solto", explicou.

Segundo Sá, a prisão do criminoso, que chegou a ter R$ 50 mil oferecidos como recompensa pelo Disque-Denúnica, é uma vitória e só foi possível com a ocupação da PM na Rocinha. "Identificamos e, com sacrifício, estamos prendendo, mesmo com a falta de recursos. A Polícia tem feito prisões ótimas e o trabalho vai continuar", afirmou.

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