Por gabriela.mattos
Rio - A violência contra policiais militares assusta: em 12 horas, dois PMs foram assassinados no estado do Rio. O caso mais recente ocorreu na Avenida dos Democráticos, em Higienópolis, na Zona Norte, na madrugada desta segunda-feira. O 2ª sargento Fabio Alexandre Eufrásio Silva, 45 anos, foi atingido por quatro tiros, pelo menos um deles de fuzil, enquanto fazia uma blitz na via.  Os disparos o atingiram no rosto, tórax, braço esquerdo e perna direita. Ele foi o 129º policial militar morto no estado em 2017.

Eram pelo menos quatro bandidos dentro do veículo, um Chevrolet Cobalt prata. O PM, que era lotado no 22º BPM (Maré), participava de uma blitz junto com outro policial. Uma testemunha do crime prestou depoimento na 21ª DP (Bonsucesso) e disse que dois dos criminosos já estavam rendidos no chão, quando Eufrásio se aproximou do carro e ordenou que os outros desembarcassem. Eles saíram do veículo atirando contra o militar.

Fuzil do PM morto perto do Jacarezinho foi devolvido em na UPP Manguinhos. No detalhe%2C a marcação que o identifica como uma arma da Polícia MilitarMontagem sobre divulgação

O motorista que presenciou o crime narrou que havia um caminhão atrás do carro dos bandidos e ele vinha em seguida. Quando ocorreram os disparos ele e o caminhoneiro deram marcha a ré em fuga. 

O policial que estava com o 2º sargento Eufrásio chegou à delegacia em um táxi e em estado de choque. Os agentes da 21ª DP seguiram para o local do crime e socorreram o PM. O Hospital Geral de Bonsucesso disse que a vítima deu entrada às 4h55, mas já chegou morta a unidade. Além da testemunha ocular do crime, o policial que acompanhava Eufrásio também foi ouvido por policias civis da Delegacia de Homicídios da Capital (DH-Capital). 

Por causa da morte do policial, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) realiza uma operação no Jacarezinho, comunidade que fica perto do local do crime, na manhã desta segunda, e muitos tiros são ouvidos na favela.

O fuzil do PM que tinha sido levado foi entregue na sede da UPP Manguinhos, onde o Batalhão de Choque (BPChq) atua na favela do Mandela. Os policiais do Choque também estão na Favela do Arará, em Benfica. 

Carro (Cobalt prata) usado por bandidos que mataram policial foi abandonado perto do local do crimeSeverino Silva / Agência O Dia

O carro dos bandidos, que tem placa de São Gonçalo, foi abandonado entre as avenidas dos Democráticos e Dom Hélder Câmara. O veículo tinha marcas de sangue e pelo menos oito disparos em sua lataria. Ele consta como roubado no sistema da Polícia Civil, com registro de ocorrência feito na 21ª DP. 

Poucos antes das 9h, um blindado aguardava autorização para entrar com 18 homens no Jacaré, mas o Comando de Policiamento de Área (CPA) não autorizou. Bandidos atiraram de dentro da favela contra os policiais que estavam na entrada da favela.

"Morre um policial e por conta de politicagem temos que ficar expostos aqui na entrada da comunidade e ninguém faz nada. O comandante (do 22º BPM) mandou virmos para cá e estamos parados aqui", disse um policial, que era amigo de Eufrásio.

"Executaram meu colega. Um outro policial chegou a trocar tiros com os bandidos e está no HGB (Hospital de Bonsucesso) em estado de choque", contou o PM, que trabalhava com o policial morto há mais de 18 anos.

Até as 9h a Polícia Civil ainda não havia enviado uma equipe para a cena do crime nem para onde o veículo dos bandidos foi encontrado, mesmo com a Cidade da Polícia a poucos metros do local. Os peritos chegaram para começar os trabalhos às 10h05. O caso está sendo investigado pela DH-Capital. Agentes estão diligenciando a fim de identificar os autores do crime.

O segundo sargento Eufrásio tinha 18 anos de Polícia Militar, deixa esposa e seis filhos. Ele é o 129º policial militar morto em 2017, o 27º morto em serviço. Ainda não há informações sobre o seu enterro.

PM fez operação no Jacarezinho após morte de policial militarSeverino Silva / Agência O Dia

?PM do Bope morto em Parada de Lucas

Já no início da noite deste domingo, um PM lotado no Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi morto a tiros, no início da noite deste domingo, na Avenida Brasil, altura de Parada de Lucas, Zona Norte do Rio.

Há duas versões para este caso. Em uma delas, Éder Gomes de Matos teria reagido a uma tentativa de assalto, na altura do Parque Proletário. No entanto, outras testemunhas contam que os criminosos atiraram no PM após verem que ele estava armado. Éder chegou a ser socorrido por militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Parque Proletário, mas não resistiu aos ferimentos.

Em nota, a PM disse que, com base em informações colhidas no local, o policial estava em sua moto trafegando na Avenida Brasil quando homens armados tentaram fechar a via e atiraram contra ele, ocorrendo confronto. A arma, a moto e outros pertences do policial foram recuperados.
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Equipes do 16ºBPM (Olaria), durante buscas aos criminosos, encontraram um carro abandonado com marcas de disparos em Cordovil. A Delegacia de Homicídios (DH-Capital) foi acionada e realizou perícia. 
Cabo Eder tinha 37 anos e estava há seis anos na Polícia Militar. Ele deixa esposa e uma filha. Seu enterro será às 10h30 desta terça-feira no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. 
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