Morador da Muzema aguarda, há mais de um mês, visita da Defesa Civil, que alega 'questões de segurança'

Imóvel está repleto de rachaduras depois que dois prédios irregulares foram erguidos na vizinhança

Por O Dia

 Alex vivia no imóvel com três filhos e dois enteados
Alex vivia no imóvel com três filhos e dois enteados -

Rio - Em um beco da Rua Ana Marta, uma das principais da favela da Muzema, a 750 metros do condomínio onde dois prédios desabaram na última sexta-feira, uma família de sete pessoas teve que abandonar, às pressas, seu lar. O imóvel está repleto de rachaduras depois que dois prédios irregulares foram erguidos na vizinhança. Há mais de um mês, o vigilante Alex Sandro da Silva, de 43 anos, cobra, em vão, a visita de técnicos da Defesa Civil.

Alex vivia no imóvel com três filhos e dois enteados - Arquivo Pessoal

Uma parte do gesso do teto caiu, as paredes estão trincadas, e a solução parece mais distante a cada dia que passa. Alex vivia no imóvel com três filhos e dois enteados. Mas, com medo de uma tragédia, teve que pedir abrigo na casa de uma vizinha.

"Não vou esperar cair o teto na cabeça dos meus filhos. Por isso, achei melhor sairmos, mas não tenho como pagar um aluguel neste momento. É um absurdo a gente ficar ligando para o 1746 (serviço da Prefeitura) e nada ser feito. Da última vez, marcaram de vir no dia 8 de abril. Fiquei esperando e nada. Só queria que fizessem uma avaliação", desabafou.

O imóvel onde ele vivia com as crianças está ladeado de novos prédios. Uma outra moradora da região, que pede para não ser identificada por medo de represálias, diz que o dono de uma das construções está no Nordeste, de onde dá as coordenadas sobre o empreendimento.

Alex vivia no imóvel com três filhos e dois enteados - Arquivo Pessoal

"Mesmo com o risco para outros vizinhos, a obra não pára. O dono está no Ceará, mas o pedreiro continua trabalhando", denuncia ela.

A maior parte dos moradores ouvidos pelo DIA reclama da ausência da Defesa Civil. Mas, quando o assunto é sobre quem são os responsáveis pelas novas construções, a população sente medo e prefere o silêncio.

"A gente não pode falar disso. O que a gente precisa é de ajuda do governo, porque a gente não tem para onde se mudar e também não queremos que a casa caia na nossa cabeça", acrescentou uma moradora.

Procurada, a Defesa Civil não respondeu por que o endereço de Alex, na Rua Ana Marta, ainda não foi visitado. Mas alegou, em nota, que "todas as ocorrências registradas pelas centrais são atendidas". No entanto, segundo o órgão, em favelas como a Muzema, a inspeção de agentes da Defesa Civil "dependem de questões de segurança".

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Alex vivia no imóvel com três filhos e dois enteados Arquivo Pessoal
Alex vivia no imóvel com três filhos e dois enteados Arquivo Pessoal
Alex vivia no imóvel com três filhos e dois enteados Arquivo Pessoal